Açoriano Oriental
Covid-19
Açores criam grupo de trabalho para monitorizar impacto económico

O Governo dos Açores criou um grupo de trabalho para monitorizar o impacto económico do surto de Covid-19, que irá reunir semanalmente e em que terão assento os agentes económicos, anunciou o vice-presidente do executivo.

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Foto: GaCS/AIC
Autor: Lusa/AO Online

Após uma reunião em Ponta Delgada, na qual se fez acompanhar pela secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, e por com responsáveis locais das associações representativas do setor económico, Sérgio Ávila declarou aos jornalistas que “foi consensual criar um grupo de trabalho que irá reunir semanalmente, com representantes das empresas dos vários setores e da administração regional”.

De acordo com o governante, este grupo vai “permanentemente avaliar a evolução da situação e monitorizar aquilo que deve ser o conjunto de políticas públicas, no sentido de apoiar e minimizar os efeitos na componente económica” face aos impactos do surto de Covid-19.

O grupo de trabalho integra três elementos da administração regional ligados ao apoio à competitividade e investimento, ao emprego e ao turismo, além de representantes da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, da Associação da Hotelaria de Portugal e Associação de Turismo dos Açores.

Sérgio Ávila quer combater o “empolamento das situações” e “criar todas as condições para minimizar e anular estes efeitos, e retomar, quando possível, a normalidade da própria atividade económica”.

O vice-presidente anunciou que há medidas nacionais que vão ser adaptadas pelo Governo Regional aos Açores e um conjunto de outras, específicas, que podem vir a ser adotadas na sequência da monitorização semanal da situação.

Para Sérgio Ávila, seria "uma irresponsabilidade de todas as partes, no processo que se inicia agora, estar, já nesta fase, a definir um conjunto de medidas para uma situação que evoluiu diariamente”.

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, também em declarações aos jornalistas, considerou que “faz sentido criar o grupo de trabalho para se informar relativamente ao que, de facto, está a acontecer”.

O líder dos empresários declarou que “naturalmente a economia vai ressentir-se”, mas resta saber “se no prazo de um mês, dois, três, seis meses”, sustentando que a economia açoriana pode necessitar de “algumas medidas complementares às nacionais”.

O delegado nos Açores da Associação da Hotelaria de Portugal estimou na terça-feira quebras “superiores a 50%” na Páscoa, em termos comparativos com 2019, defendendo a adoção de medidas, tal como o líder dos empresários.

Fernando Neves, em declarações à agência Lusa, disse que não prevê que o verão “seja melhor”, considerando que se está a sentir “os efeitos negativos” do surto de Covid-19, algo que, com base no ‘feedback’ dos empresários do setor, “se está a agravar”.

Para Fernando Neves, as consequências económicas vão ser “extremamente penalizadoras”, sendo que, nos Açores, as taxas de ocupação hoteleira “já são muito baixas”, estimando-se “quebras superiores a 50%”na Páscoa, em termos comparativos com 2019, não prevendo que o verão seja melhor”.

Mário Fortuna, também em declarações à agência Lusa, afirmou que “é consensual que o impacto desta crise vai ser significativo”, o que “vai exigir que sejam adotadas medidas” como está a acontecer no continente e na Europa.

Para o dirigente empresarial, a adoção de uma linha de crédito, como aconteceu a nível nacional, “configura-se como pouco para a dimensão que se avizinha”, sendo necessário “seguramente mais apoios e intervenções” num problema que “não se sabe quando vai acabar ou dar a volta”.

O número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus subiu para 59 em Portugal, mais 18 do que os contabilizados na terça-feira, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Este é o maior aumento diário de pessoas infetadas desde o início da epidemia.

De acordo com o boletim sobre a situação epidemiológica em Portugal, divulgado hoje com dados atualizados às 00:00, há 83 casos que aguardam resultado laboratorial. No total, desde o início da epidemia, registaram-se 471 casos suspeitos.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e até ao momento cerca de 114 mil pessoas de mais de cem países foram infetadas, mas a maioria (mais de 63 mil) já recuperou.

O novo coronavírus provocou até ao momento mais de quatro mil mortos.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, estando neste momento em quarentena.


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