Terrorismo

Zapatero considera detenção de "Txeroki" golpe contra a ETA


 

Lusa/AOonline   Internacional   17 de Nov de 2008, 10:45

O primeiro-ministro espanhol José Luís Rodríguez Zapatero afirmou que a detenção do dirigente da ETA Garikoitz Aspiazu Rubina, conhecido pelo pseudónimo “Txeroki” é um “golpe determinante” para a organização que "está hoje mais débil”.
“Com a detenção de "Txeroki" caiu quem desde há tempo dirigia as acções operativas da ETA, o responsável directo de alguns dos últimos assassinatos da organização”, disse Zapatero em declarações aos jornalistas.

    "Txeroki" foi hoje detido em Hautes-Pyrénées, no sudoeste de França, anunciou em comunicado a ministra francesa do Interior Michèle Alliot-Marie.

    Saudando o trabalho das forças de segurança, Zapatero destacou a colaboração entre as forças espanholas e francesas, afirmando que Espanha continuará a lutar contra os responsáveis pelo terrorismo no país.

    "Txeroki", que era, até hoje, o homem da ETA mais procurado pelas autoridades espanholas, liderava a facção da organização separatista que Madrid considera ser a mais dura, que sempre se mostrou contra tréguas e que foi responsável pelos últimos grandes atentados, incluindo o de Dezembro de 2006 no aeroporto de Madrid, que fez dois mortos e acabou com a trégua da ETA com as autoridades de Madrid .

    Conhecido por outros nomes, como “Arrano” ou “O Índio”, Txeroki iniciou em 2000 acções importantes de “kale borroka” (violência de rua) no País Basco, colaborando na altura com o “comando Vizcaya”, um dos mais activos da ETA.

    O líder militar da ETA assumiu o comando depois de vários dirigentes terem sido detidos, participando em vários atentados, incluindo o assassinato do magistrado José Maria Lidón em Novembro de 2001.

    As autoridades relacionam-no com outros atentados, incluindo a colocação de uma bomba no carro de um dirigente da juventude socialista basca, em 2002

    É nesse ano que "Txeroki" se muda para França, entrando no círculo de confiança do então líder máximo da ETA, Mikel Antza e da companheira deste, Soledad Iparraguirre, ou “Anboto”.

    “Anboto” terá assumido a responsabilidade pelo treino de "Txeroki" que, por sua vez, começou a formar comandos no uso de armas e explosivos.

    De acordo com as autoridades espanholas, "Txeroki" terá ssumido funções de coordenação de todos os comandos a partir de 2004, representando o sector mais duro da organização.

    Alguns especialistas sugerem que esta ala representa uma nova ETA, formada essencialmente por elementos que partiram das acções de violência de rua, sem muita experiência mas mais violentos e recusando negociações.

    Num cenário de maior segurança dentro da própria ETA, os comandos actuam agora sem que conheçam, em muitos casos, as actividades de outros, sendo Txeroki, um dos poucos pontos de contacto para todos.

    Um membro do comando responsável pela morte, em Dezembro de 2007, dos dois agentes da Guarda Civil num atentado em Capbreton (França) admitiu à polícia que "Txeroki" lhes confessou ter sido ele próprio a disparar contra os agentes.

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