Washington e Cabul concluem acordo parcial sobre presença dos EUA depois de 2014

Washington e Cabul concluem acordo parcial sobre presença dos EUA depois de 2014

 

LUSA/AOnline   Internacional   13 de Out de 2013, 14:36

Washington e Cabul concluíram um acordo parcial sobre uma presença militar norte-americana no Afeganistão depois de 2014, no final de intensas negociações que não resolveram totalmente a questão crucial da imunidade dos soldados norte-americanos.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, participou em Cabul na sexta-feira e no sábado numa maratona de negociações com o presidente afegão, Hamid Karzai, para tentar chegar a um acordo bilateral de segurança (BSA).

Neste texto, para o qual os dois países trabalham há onze meses, deverá enquadrar a presença norte-americana no Afeganistão no final da missão de combate da Nato, em finais de 2014, bem como o número de bases e o estatuto dos soldados norte-americanos que ficarem no país.

“Chegámos a uma série de acordos”, designadamente sobre as modalidades de intervenção de um contingente norte-americano, declarou no sábado à noite o presidente afegão durante uma conferência de imprensa conjunta com Kerry em Cabul.

Mas Karzai advertiu que a questão da imunidade das tropas norte-americanas, uma exigência de Washington, não estava resolvida. “Não há consenso sobre esta questão”, declarou.

O chefe da diplomacia norte-americana afirmou que “se esta questão (da imunidade) não estivesse resolvida, infelizmente não poderia existir acordo bilateral de segurança”.

No entanto, no avião que transportava Kerry de Cabul para Londres, um responsável norte-americano mostrou-se otimista.

“Chegámos a um acordo de base sobre todos os pontos chave”, declarou, assegurando mesmo que a questão da imunidade estava no texto de preparação.

A questão da imunidade é um elemento fundamental para Washington, que exige que os soldados norte-americanos considerados acusados de crimes no Afeganistão sejam julgados por tribunais norte-americanos e não afegãos.

No Iraque, os Estados Unidos previam manter um contingente depois de 2011, mas acabaram por repatriar todas as tropas norte-americanas porque Bagdad recusou a questão da imunidade dos soldados norte-americanos.

O presidente Karzai precisou que esta questão seria submetida à Loya Jirga, a grande assembleia de chefes tribais e de representantes da sociedade afegã, afirmando que “solucionar este problema ultrapassa a autoridade do governo”.

Validar o acordo de segurança bilateral através dos processos parlamentares nos Estados Unidos e no Afeganistão é urgente, já que a maioria dos 87 mil soldados da Nato deverá deixar o Afeganistão no final de 2014.

A retirada dos soldados norte-americanos faz temer uma nova onda de violência no país que enfrenta uma insurreição dos talibãs, depostos do poder em 2001 por uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.


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