Tradição das árvores de Natal já viveu melhores dias


 

Rui Leite Melo   Regional   30 de Nov de 2008, 11:15

Até há poucas décadas, uma ou duas no máximo, a compra de uma árvore de natal, em especial criptoméria ou pinheiro, era um hábito incontornável dos lares açorianos na quadra natalícia.
Tal costume resultava então num negócio de sucesso e, acima de tudo, constituía um dos momentos mais marcantes para filhos e pais nos dias que antecediam o Natal.
Hoje, a situação é completamente diferente e, embora a tradição ainda persista, mais não se deve do que à resistência de alguns vendedores e à nostalgia de alguns compradores. A oferta é reduzida e os preços quase que “proibitivos”. Exceptuando um exemplar particularmente desfavorecido, o preços das árvores de Natal este ano disponíveis para venda começam nos vinte euros, podendo atingir o dobro ou mais consoante a sua dimensão e qualidade. Mesmo assim pouco para aqueles que, cada vez menos descem à cidade carregados de tradição natalícia e de expectativa de negócio.

Nova mudança
Ontem abriu a “Feira da Árvore de Natal 2008”, que este ano está localizada no Parque da Madruga, com acesso pela avenida Antero de Quental. Ali vai estar até 24 de Dezembro. Trata-se de um espaço municipal disponível para todos os vendedores de árvores, bem como de outros ornamentos natalícios naturais. No dia de abertura, apenas duas secções estavam ocupadas. Quem ali já então fazia o seu negócio reconhecia ser “cedo de mais para se vender árvores”, confiando que na segunda ou terça-feira o espaço estaria mais composto. “Mas é grande de mais”, salientou um dos vendedores de árvores de Natal ontem abordado pelo Açoriano Oriental. E explicou-se: “actualmente são apenas três famílias a explorar o negócio. Há dois ou três anos, éramos cinco famílias, mas cada vez mais somos menos. Não tenho dúvidas que daqui a uns quatro ou cinco anos já não haverá ninguém a vender árvores de Natal naturais”.
Tanto ou mais que culpabilizar ou justificar o decréscimo do negócio com o aumento da procura por árvores artificiais, ou mesmo no espaço este ano disponibilizado pela autarquia, “que tem melhores condições de estacionamento mas poucos são os que sabem onde fica”, os vendedores apontam o dedo ao departamento governamental responsável pelos Serviços Florestais, que acusam de limitar ao extremo as áreas passíveis de cultura e de corte das árvores e de aplicar regras extremamente restritivas. “Assim, não vale a pena”, afirmava ontem quem, por tradição familiar, tem na quadra natalícia um momento de garante trabalho e algum lucro.
Uma dificuldade que, a par das alterações de consumo da sociedade, acaba apenas por acelerar o fim de uma das mais enraizadas tradições natalícias das ilhas e que, ano após ano, vai dando terreno a ganhar a tradições importadas, que depressa fazemos nossas.

Novo espaço para um mesmo objectivo

Este ano a Feira da Árvore voltou a mudar de base, transitando para o parque de estacionamento da Madruga devido à iniciativa “Ponta Delgada On Ice”, ou seja, à abertura de uma pista de patinagem no gelo no Campo de São Francisco. Assim, por uma alegada questão de maior comodidade e de espaço para os vendedores, a “Feira da Árvore de Natal” passou para o parque municipal da Madruga, localizado na Avenida Antero de Quental. Ainda de acordo com a Câmara, com a realização de mais esta feira, volta-se a fomentar o comércio de árvores de Natal na cidade, criando mais oportunidades às pessoas que, nesta altura do ano, se dedicam à actividade da venda de árvores de Natal, bem como a todas aquelas que não dispensam o prazer de terem uma árvore de Natal natural.

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