Trabalhadores com nível intermédio de experiência mais expostos à crise mundial

Trabalhadores com nível intermédio de experiência mais expostos à crise mundial

 

Lusa / AO online   Economia   6 de Out de 2013, 12:06

A redução feita no número de colaboradores pelas mais variadas organizações, do setor público ao privado, em resposta à crise económica global, atingiu sobretudo os funcionários intermédios, segundo a norte-americana Sandra Hartog, consultora em gestão de talento.

 

"A nível mundial, as organizações fizeram um esforço para se protegerem, reduzindo o quadro de pessoal. O que acabaram por fazer foi ver-se livres do nível médio de talento", afirmou à agência Lusa a especialista, à margem da conferência que marcou o 20.º aniversário da RAY Human Capital e que decorreu na Escola de Direcção e Negócios (AESE), em Lisboa

Assim, em termos de tendência, Sandra Hartog, disse que "ficaram alguns profissionais muito seniores nos seus cargos de liderança e muitos ‘millennials' [geração que nasceu entre os anos de 1980 e 2000] no fundo".

Isso criou um vazio no segmento intermédio de experiência profissional, apelidado pela consultora de ‘skill gap' (buraco de competências) e ‘talent gap' (buraco de talento) geracionais.

"É uma espécie de ‘donut'. Perdemos o meio e temos esta espécie de círculo neste momento", ilustrou a responsável da empresa norte-americana Fenestra, que desenvolveu uma ferramenta tecnológica que lhe permite fazer consultoria em mais de 50 países, avaliando milhares de trabalhadores de grandes firmas multinacionais por ano.

Entre elas contam-se as bem conhecidas Merck, MetLife, Bank of America, Kellogg, Merrill Lynch, Thomson Corporation ou UBS.

"Muitas organizações, em vez de voltarem a contratar pessoas que preencham esse nível intermédio de experiência, estão a optar por escolher pessoas mais juniores, porque podem pagar-lhes menos", salientou.

Adicionalmente, acrescentou Sandra Hartog, as pessoas mais jovens parecem ter um "leque diferente" de competências.

"Não estou a dizer se são melhores ou piores, mas são diferentes. São mais tecnologicamente orientadas, estão mais dispostas a trabalhar num ambiente laboral mais flexível e têm um pensamento mais flexível, entre outros estereótipos que possamos ter", sublinhou.

Questionada sobre o talento desperdiçado com o significativo aumento do desemprego, a perita considerou que "só porque alguém não está a trabalhar neste momento, isso não significa que não seja muito capacitado".

E acrescentou que as pessoas desempregadas podem ser indivíduos com muitas capacidades valiosas para as organizações.

"O que acontece é que, com o prolongar da crise, e quanto mais tempo passam desempregadas, enquanto procuram trabalho, pode parecer que as capacidades das pessoas estão a ficar ultrapassadas", opinou a responsável que visitou pela segunda vez Portugal, país onde passou a sua lua-de-mel, há 25 anos.

E concluiu: "Isso pode, ou não, ser o caso. Mas é uma ficção azarada do clima económico em que se encontram".


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