Esta mudança abrupta no programa Artemis visa aumentar a cadência dos lançamentos, de forma a facilitar a resolução de problemas técnicos, justificou o novo diretor da NASA, Jared Isaacman.
"Quando se realiza um lançamento de três em três anos, as competências atrofiam-se", explicou aquele responsável durante uma conferência de imprensa realizada no Centro Espacial Kennedy, na Florida. "Não é o caminho a seguir", frisou.
A agência espacial americana vai, portanto, adicionar uma missão intermédia antes do regresso dos astronautas à superfície lunar, inicialmente previsto para o Artemis 3.
Este anúncio surge depois de um painel de especialistas, que tem como dever aconselhar a NASA, ter considerado esta missão de alto risco devido ao elevado número de 'primeiras' técnicas e operacionais, num relatório publicado há dois dias.
Saudando as decisões tomadas pelo novo administrador da NASA, classificando-as como "realistas e necessárias", o diretor do Space Policy Institute, Scott Pace, disse à agência de notícias francesa AFP esperar outras reformas em breve.
Se a mudança anunciada hoje permitirá "certamente reduzir alguns dos riscos", "muitas questões" permanecem sobre a viabilidade de uma base na Lua a curto prazo, principalmente devido à ausência até hoje de um módulo lunar pronto, estima Clayton Swope, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), junto da AFP.
Programa emblemático da NASA, o Artemis acumula há anos atrasos e contratempos técnicos. O mais recente é a muito aguardada missão Artemis 2, que enviará astronautas ao redor da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos.
Esta missão foi adiada mais uma vez, na semana passada, devido a um problema técnico no foguetão e agora está prevista para abril, o mais cedo possível.
Perante este novo adiamento e devido à pressão exercida pela China, potência rival dos Estados Unidos que também ambiciona enviar homens à Lua até 2030 e aí instalar uma base, a NASA altera assim os seus planos.
Os astronautas, portanto, não irão pousar na superfície lunar durante a Artemis 3, mas tentarão, em vez disso, uma manobra de encontro em órbita com um módulo lunar. A etapa crucial e muito arriscada da base lunar será tentada mais tarde, durante as missões Artemis 4 e Artemis 5, ambas agora previstas para 2028, explicou o chefe da NASA. Este será o último ano do mandato de Donald Trump.
"Não nos comprometemos necessariamente a lançar duas missões em 2028", precisou o Isaacman, "mas queremos ter a possibilidade de o fazer".
Este plano poderá, contudo, ainda ser adiado, devido à NASA, mas também aos seus parceiros privados SpaceX e Blue Origin, as empresas espaciais dos multimilionários Elon Musk e Jeff Bezos, que foram encarregadas do desenvolvimento dos módulos lunares e que também acumulam atrasos.
A reformulação anunciada pela NASA visa aproximar a arquitetura de Artemis da do famoso programa Apollo, que nos anos 1960 e 1970 permitiu aos Estados Unidos superar a União Soviética durante a primeira corrida à Lua.
Este programa, que consistiu em múltiplas missões próximas de dificuldade crescente, transportou os únicos seres humanos que pisaram a superfície lunar.
Anunciado durante a primeira presidência de Donald Trump, depois de ter sido considerado ao longo de várias décadas, o programa Artemis consistia em poucas missões espaçadas com grandes objetivos, sendo a ambição a longo prazo estabelecer uma presença humana duradoura na Lua e preparar futuras missões a Marte.
Mas nos últimos anos acumulou muitas críticas devido ao seu custo muito elevado e aos numerosos atrasos.
NASA altera planos de regresso à Lua após múltiplos atrasos
A NASA anunciou que irá alterar os seus planos de regresso à Lua, acrescentando uma missão lunar tripulada adicional antes de enviar astronautas para a superfície lunar, viagem ainda prevista para 2028.
Autor: Lusa
