Açoriano Oriental
Todos os países podem fazer mais na luta contra surto
Os Estados Unidos admitem que a resposta de Washington contra o atual surto de Ébola na África Ocidental não foi "suficientemente rápida", mas acreditam que os esforços em curso vão ser essenciais para vencer esta batalha humanitária.
Todos os países podem fazer mais na luta contra surto

Autor: Lusa/AO online

 

“A administração norte-americana admite que não foi suficientemente rápida para controlar a doença, mas vamos trabalhar agora e vamos fazer mais”, disse hoje à Lusa o porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado norte-americano, Justen Thomas, que se deslocou esta semana a Lisboa.

Na última semana, algumas organizações têm criticado a lentidão da resposta por parte dos países e a falta de solidariedade internacional face ao surto do vírus do Ébola, que já matou desde o início do ano mais de quatro mil pessoas na África Ocidental.

Uma das vozes críticas foi o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, que afirmou que o mundo “estava a perder a batalha” face ao vírus do Ébola, por falta de solidariedade internacional.

A ONU lamentou igualmente o facto do fundo especial das Nações Unidas para o combate contra o Ébola contar apenas com um valor monetário pouco expressivo, quando comparado com o montante inicialmente prometido pelos países.

Justen Thomas adiantou que “todos os países podem fazer mais”, incluindo os Estados Unidos, para ganhar a batalha humanitária do Ébola, que representa uma ameaça tanto para a segurança internacional como para a segurança de cada país.

Nesse sentido, segundo explicou o representante, os Estados Unidos estão a ajudar com valores monetários, mas também na construção de infraestruturas que não existem nos países mais afetados pela epidemia.

O diretor do Media Hub of the Americas (estrutura do gabinete de relações públicas do Departamento de Estado norte-americano com sede em Miami, Florida) precisou que os Estados Unidos decidiram enviar para a África Ocidental cerca de quatro mil elementos das Forças Armadas, especialistas nas áreas de engenharia, logística e de infraestruturas, para a ajudar na construção de centros médicos, estruturas de saneamento e vias rodoviárias.

“É um dever ajudar os seres humanos que estão a sofrer com esta doença. (…) Nos últimos quatro anos, os surtos de Ébola foram controlados. Sabemos que este também pode ser controlado. Conhecemos a doença, temos a informação científica sobre a doença, vamos usar essa informação para ajudar a Africa Ocidental a ganhar esta batalha”, concluiu Justen Thomas.

Segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), com data de 13 de outubro, o Ébola causou 4.555 mortos em 9.216 casos registados em sete países (Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, os mais afetados, mas também Nigéria, Senegal, Espanha e Estados Unidos).

O Ébola tem fustigado o continente africano regularmente desde 1976, sendo o atual surto o mais grave desde então.

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