Açoriano Oriental
Covid-19
Tenistas Pedro Sousa e Frederico Silva cancelam treinos e cumprem quarentena

Os tenistas portugueses Pedro Sousa e Frederico Silva cancelaram os treinos em ‘court’ para cumprir o período de quarentena, aconselhado pelas autoridades portuguesas, e após a suspensão do circuito internacional por seis semanas, decretada pelo ATP.

article.title

Foto: EPA/LUKAS COCH
Autor: Lusa/AO Online

Tanto Pedro Sousa, número dois nacional e 110 do ‘ranking’ mundial, como Frederico Silva, 192.º colocado na mesma hierarquia, fizeram uma pausa nos treinos diários e aproveitam para descansar das últimas semanas competitivas, entre as quais a da Taça Davis.

“Regressámos da Lituânia e treinámos normalmente, mas a partir de quarta-feira começámos a ter bastantes cuidados e desde sexta-feira que não treino e não voltei a pegar numa raqueta. Praticamente não saí de casa. Apenas fui ao supermercado e, de resto, tenho ficado em casa, não só para me proteger, como também para proteger os outros”, revela o lisboeta à agência Lusa.

Frederico Silva, ao contrário de Sousa, depois da vitória na Taça Davis, por 4-0, ainda seguiu para o Cazaquistão para disputar o Challenger Nur-Sultan, mas uma microrrutura na coxa da perna direita obrigou-o a desistir da segunda ronda e a regressar a Portugal só no final da última semana.

“Não tenho estado a treinar no campo. Tenho uma lesão na perna e não posso fazê-lo, pelo menos, durante mais uma semana, mas tenho feito trabalho físico em casa. Não tenho saído, tenho estado de quarentena. Os ginásios estão fechados, por isso também só dá para treinar em casa”, conta o esquerdino das Caldas da Rainha.

Perante a pandemia da Covid-19, o ATP Tour decretou a suspensão do circuito internacional durante seis semanas, prevendo a retoma para 27 de abril, altura em que está previsto o início do Estoril Open, e os jogadores portugueses consideram ser a decisão mais prudente.

“Julgo que estamos todos de acordo que é a decisão mais sensata, embora, para nós, seja um transtorno grande não jogar. No meu caso, vou tentar recuperar da lesão o mais rapidamente possível e aproveitar para, assim que possível, voltar a treinar no ‘court’. Entretanto, trabalho a parte física para, quando voltar aos torneios, estar em boa forma”, defende Silva, de 24 anos.

Já Pedro Sousa, que “vinha de várias semanas competitivas bastante cansativas”, diz que a “paragem é longa, até pode ser maior do que o previsto, e há que encontrar soluções para manter a forma”, embora a saúde seja o mais importante.

“É difícil, porque praticamente não podemos sair de casa. Mas vamos arranjar uma solução: ou treinar em casa ou, quando for seguro, sairei para treinar, mas também não será fácil, porque quase todos os clubes estão fechados. São seis semanas ou mais em que não vou ganhar dinheiro, mas a saúde está em primeiro lugar e não vale a pena queixarmo-nos muito”, acrescenta.

O lisboeta, de 30 anos, lembra, contudo, que os prejuízos e danos provocados pela Covid-19 não se restringem aos atletas e que é algo transversal.

“A verdade é que todos os setores vão ser afetados, não sou só eu e os jogadores, é toda a gente. Por isso, não vale a pena queixarmo-nos. Temos é de nos juntar todos e fazer o possível para travar a propagação do vírus. Quando tudo estiver resolvido, logo penso na minha carreira”, justifica Sousa.

Frederico Silva concorda e reconhece que, nesta altura, “não há muito a fazer”, a não ser cumprir com as recomendações, até porque há determinados aspetos, como o congelamento do ‘ranking’, que ainda não foram determinados.

“Não havendo torneios, não podemos pontuar para o ‘ranking’. Não sabemos ainda se vão congelar os ‘rankings’ ou manter o seu normal funcionamento. Há jogadores que têm muitos pontos a defender e vão descer na hierarquia, porque não os defendem. E há outros, como eu, que não têm pontos a defender, e vão perder a oportunidade de somar pontos”, explica, lembrando ainda que os jogadores “não podem ganhar ‘prize-money’”, o que é mais “um prejuízo comum a todos.”

Atendendo à imprevisibilidade da pandemia e da retoma do circuito internacional, Pedro Sousa admite “esperar pelas decisões do ATP para ver como evolui situação, antes de tomar novas decisões”, enquanto Frederico Silva coloca a possibilidade de repensar o calendário competitivo.

“Não sabemos se vão ser apenas seis semanas e não sabemos se o ATP vai juntar mais torneios ao calendário para compensar esta suspensão. O que tenho pensado é estar bem fisicamente para, assim que voltarmos a competir, fazer o máximo de torneios possível”, confessa o número quatro português.


Regional Ver Mais
Cultura & Social Ver Mais
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.