Teatro da Cornucópia apresenta "Sangue no Pescoço do Gato" em Ponta Delgada


 

Lusa / AO online   Regional   28 de Nov de 2007, 14:38

O Teatro da Cornucópia leva à cena sexta-feira e sábado, em Ponta Delgada, a peça "Sangue no Pescoço do Gato", do dramaturgo e cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder, na primeira deslocação da companhia aos Açores.
A peça, apresentada no Teatro Micaelense, tem "um processo de criação muito particular, feito a partir do improviso dos actores, numa espécie de um jogo, como pretexto para fazer um retrato dos males das democracias ocidentais, tal como eram sentidas no princípio dos anos 70", descreveu o encenador Luís Miguel Cintra.

Em conferência de imprensa, o director do Teatro da Cornucópia sublinhou que a peça, com nove actores em cena, tem "uma enorme actualidade", já que "muitas das coisas apontadas como dificuldades para a felicidade e para o viver em comum na sociedade de há mais de trinta anos atrás são sentidas actualmente".

"A escrita da peça não tem uma estrutura convencional, é uma espécie de proposta, de um jogo entre actores, que conta muito com a criatividade destes, o que se torna possível por causa do método de trabalho da Cornucópia, do tipo de elenco que tenho conseguido juntar na companhia, permitindo uma criatividade colectiva", enfatizou Luís Miguel Cintra.

Numa produção do Teatro da Cornucópia, a peça "Sangue no Pescoço do Gato” já foi apresentada há três anos no continente, e, segundo Luís Miguel Cintra, "ficou na memória" como um espectáculo "particularmente feliz da própria companhia e que funcionou com uma comunicação com o público extremamente grande".

Segundo disse, as pessoas reconheciam, de facto, naqueles comportamentos um retrato das suas próprias vidas e eram capazes de se rir e de se divertir com coisas que acabam por ser extremamente dolorosas.

A presidente do conselho de administração do Teatro Micaelense, Ana Teixeira da Silva, que destacou o percurso do encenador Luís Miguel Sintra, evidenciou que sempre constituiu uma meta trazer aos Açores o Teatro da Cornucópia.

A companhia foi fundada em 1973 por Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra, vindos do teatro universitário, que reuniram em torno do seu projecto um pequeno grupo de actores profissionais.

O Teatro da Cornucópia tem levado à cena alguns dos grandes clássicos de todos dos tempos, pretendendo "intervir culturalmente na sociedade portuguesa e não abdicar do teatro como terreno privilegiado da criação artística e grande instrumento de pensamento das sociedades", segundo a companhia.

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