Souto de Moura diz que falta de uso de edifícios afeta património do país


 

Lusa/AO Online   Nacional   20 de Set de 2013, 08:51

O arquiteto Eduardo Souto de Moura, Prémio Pritzker 2011, apontou, em Lisboa, a falta de uso dos edifícios antigos como um dos problemas do património do país, por contribuir para a sua degradação.

 

"As igrejas ainda estão bem porque, como as pessoas lá vão, os padres tomam conta delas e vão tratando da manutenção", exemplificou o arquiteto portuense, numa palestra que se realizou no final da tarde de hoje no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

Souto de Moura foi convidado pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) para assinalar o arranque das Jornadas Europeias do Património, que vão decorrer entre sexta-feira e domingo com 500 atividades, de entrada gratuita na sua maioria.

Sob o tema da edição deste ano das jornadas - "Património/Lugares" -, a palestra de Souto de Moura foi atentamente seguida por cerca de 200 pessoas, algumas dezenas de especialistas da área dos museus e dos monumentos, mas sobretudo jovens estudantes de arquitetura.

"Os lugares é quase tudo", brincou Souto de Moura perante a vasta audiência, para quem falou durante mais de uma hora, num tom descontraído, e no fim ainda assinou autógrafos para alguns estudantes.

O arquiteto, um dos mais conceituados da chamada Escola do Porto, a par de Álvaro Siza Vieira, também Prémio Pritzker de arquitetura, mostrou vários dos seus projetos, revelando pormenores do seu processo de trabalho.

Falando sobre o projeto de intervenção no Convento das Bernardas, em Tavira, que se encontrava degradado, apontou a falta de uso como um dos problemas do património do país, com a sua consequente degradação.

Também apontou outro projeto da sua autoria, que tem sido polémico: a Casa do Cinema, no Porto, que devido a um desentendimento entre a câmara municipal e o realizador Manuel de Oliveira, se encontra há anos ao abandono.

"Este é um exemplo de um não lugar", classificou, acrescentando que devido ao conflito entre a autarquia e o cineasta centenário, o edifício desocupado, "tem sido saqueado e destruído", depois de terem ali sido investidos milhões de euros.

Também falou no projeto que tem em curso encomendado pela EDP para a Barragem de Foz Tua, que tem sido contestado devido à classificação do Douro Vinhateiro como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que aprovou o projeto, mas exigiu medidas de salvaguarda.

O projeto tem sido muito contestado pela Plataforma Salta o Tua - Associação de Defesa do Ambiente, que pretende parar a construção do empreendimento hidroelétrico, com conclusão prevista para 2016.

"Tenho sido confrontado com manifestações e chamam-me 'traidor'. Ofereci-me para esclarecer as pessoas e explicar o projeto, mas nunca ninguém veio ter comigo", lamentou.

De acordo com a Direção-geral do Património Cultural (DGPC), principal responsável pela coordenação das Jornadas Europeias do Património, que envolve 340 entidades públicas e privadas, durante estes três dias o território nacional e regiões autónomas vão ser palco de atividades para sublinhar a importância do património na sociedade.

A programação completa em todo o país pode ser consultada pelo público no endereço na Internet https://www.patrimoniocultural.pt/jep2013/.

 


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.