Educação

Sindicatos vão exigir hoje a "imediata suspensão" da avaliação dos professores


 

Lusa/AOonline   Nacional   24 de Out de 2008, 11:29

A Plataforma Sindical de Professores vai exigir a "imediata suspensão" da avaliação de desempenho, depois de docentes de várias escolas terem aprovado moções e abaixo-assinados contra o processo.
Professores de pelo menos quatro escolas do país aprovaram moções e abaixo-assinados, a que a Lusa teve acesso, a pedir ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho. Foram elas o Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares, na Secundária D. João II, em Setúbal, no Agrupamento Clara Resende, Porto, e na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Real, onde os docentes recusaram mesmo entregar os objectivos individuais, um dos procedimentos previstos no processo.

    No entanto, segundo Lucinda Manuela, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), "em 17 a 20 escolas ou agrupamentos de escolas" já foram aprovadas pelos professores tomadas de posição a pedir a suspensão do processo de avaliação de desempenho.

    Na Secundária D. João II, em Setúbal, 95 dos 107 professores da escola apelaram quinta-feira, em abaixo-assinado, à suspensão imediata da avaliação de desempenho dos docentes enquanto não houver resposta a um conjunto de questões suscitadas pela Comissão Coordenadora da Avaliação (CCA).

    Contactado pela Lusa, o professor Jaime Pinho, primeiro subscritor do abaixo-assinado, garantiu que a grande maioria dos professores não se conforma com o processo de avaliação que está a ser implementado pelo Ministério da Educação.

    “Somos obrigados a produzir documentos de centenas de páginas até ao final do ano lectivo, somos autenticamente perseguidos por um sistema de avaliação que visa ‘roubar’ cerca de 30 a 40 por cento do salário a 75 por cento dos professores”, disse Jaime Pinho, acrescentando que os encarregados de educação ainda não se aperceberam do que se está a passar nas escolas.

    “Eu fui nomeado avaliador. Tenho de ajudar a preparar e a observar as aulas dos professores que vou avaliar. Mas, por outro lado, também sou controlado pela avaliadora do meu grupo. Isto é uma cadeia de burocracia que ameaça paralisar as escolas”, acrescentou.

    Também 70 professores do Agrupamento Clara Resende, Porto, aprovaram segunda-feira uma moção na qual consideram que o processo de avaliação de desempenho deve ser suspenso, pelas "graves perturbações no normal funcionamento da escola", entre outros motivos.

    No documento, os professores sublinham "o enorme gasto de tempo e energia de professores e órgãos de gestão da escola para organizar um processo que é enquadrado por uma panóplia de documentos legais complicados e de rigor duvidoso".

    "O carácter kafkiano de um processo que, por exemplo, exige a organização, no 1º período, de mais de 150 entrevistas diferentes envolvendo responsáveis dos órgãos de direcção de escola, professores avaliadores e professores avaliados e subsequentes reuniões de coordenadores e avaliadores e subsequentes reuniões...", lê-se no documento.

    Na quarta-feira, a Federação Nacional de Ensino e Investigação (FENEI), que integra a plataforma, já tinha exigido a suspensão, propondo a adopção este ano do modelo simplificado aplicado, considerando que o actual processo "ameaça o funcionamento normal das escolas".

    Questionada sobre esta exigência, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou que "não tem sentido que instituições credíveis e de boa fé assinem um memorando de entendimento e, meses depois, venham dizer que afinal não é bem assim, ou que a situação mudou", afirmou a governante.

    Contactado pela Lusa, o porta-voz da Plataforma Sindical, Mário Nogueira, afirmou que "não está escrito em lado nenhum do memorando de entendimento que os sindicatos acordaram que o processo de avaliação tinha de se aplicar integralmente até ao final do ano lectivo”.

    Mário Nogueira recordou que, na altura, a plataforma deixou claro que o memorando de entendimento foi assinado "para salvar o terceiro período" e que os sindicatos o consideram "injusto, burocrático, incoerente, desadequado e inaplicável", como ficou na declaração anexa ao documento, assinado pelas partes a 17 de Abril.

    Por seu turno, a ministra da Educação assegurou quinta-feira que o processo de avaliação de desempenho dos professores está a avançar de "forma normal e com grande sentido de responsabilidade" na maioria das escolas.

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