Sindicato alerta para “colapso iminente” da PSP nos Açores

Em causa está a falta de agentes e possível encerramento de esquadras. SIAP acusa Governos da República e Regional de “negligência”.




O Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) alertou para “o colapso iminente” da PSP nos Açores, devido à falta de agentes e possível encerramento de esquadras, acusando os Governos da República e Regional de “negligência”.

Em comunicado, o SIAP denuncia a existência de “negligência geográfica”, apontando para a falta de efetivos nos Açores, o eventual encerramento de esquadras, falhas no controlo das fronteiras aéreas, considerando que se vive uma autêntica “roleta russa com a integridade física de quem protege e de quem precisa de ser protegido”.

Segundo o sindicato, a tutela “insiste no discurso do encerramento de esquadras, ignorando deliberadamente que, nos Açores, os efetivos já trabalham no mínimo dos mínimos, com apenas um polícia de serviço por área de esquadra”.

A estrutura sindical considera que a situação no arquipélago é agravada pela insularidade e pelo isolamento geográfico, sublinhando que “o apoio operacional mais próximo dista muitas vezes 20 a 30 minutos de viagem”.

O SIAP, presidido nos Açores por Bruno Domingues, aponta ainda críticas à gestão dos recursos humanos da PSP nos Açores, lembrando o encerramento de messes e a extinção da esquadra de trânsito de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, sem qualquer reforço efetivo dos meios operacionais.

Ainda segundo o sindicato, o que se assiste “diariamente é a abertura de novos concursos para funções burocráticas por todo o país” e os novos agentes formados “foram massivamente” canalizados para os aeroportos, “fruto da má gestão e da ambição desmedida do Ministério da Administração Interna (MAI) e da Direção Nacional da PSP”. O SIAP acusa também o Ministério da Administração Interna e a Direção Nacional da PSP de “incompetência e inação”.

Quanto à segurança aeroportuária, o sindicato denuncia que a realidade “é humilhante”, dando como exemplo o aeródromo do Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, onde “continuam a ser deslocados semanalmente dois elementos em comissão de serviço para assegurar o patrulhamento da ilha e do aeródromo”.

Por outro lado, o SIAP critica a postura do Governo açoriano, acusando o executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM) de “desinteresse” na matéria, revelando que solicitou uma audiência urgente ao presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, em março de 2025, mas “ainda não houve dignidade, nem disponibilidade de agenda para receber” o sindicato.

“O Governo Regional, bem como todas as forças políticas com assento parlamentar nos Açores, têm o dever e a obrigação constitucional de zelar pela segurança dos açorianos, cessando imediatamente esta postura de demissão de funções”, defende o SIAP.

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