“Atingir esta meta — e concentrar esforços nos países de baixo e médio rendimento que acolhem a maioria dos refugiados — melhoraria muito a vida de milhões de pessoas”, afirmou Barham Salih, numa declaração feita a propósito do Dia Mundial do Refugiado, que se assinala hoje.
O alto-comissário defende ser necessário dar reconhecimento e integrar os 42 milhões de pessoas desenraizadas dos seus países pela guerra, violência ou perseguição, lembrando que ajudam a fortalecer as sociedades que os acolhem.
“Fugir de casa em busca de segurança é uma das escolhas mais difíceis que alguém pode fazer”, assegurou o também ex-Presidente do Iraque (2018-2022), que foi refugiado durante a sua juventude, na sequência da perseguição do regime de Saddam Hussein.
“Embora uma pessoa possa, durante algum tempo, ser definida como refugiada, tornar-se refugiada não deve definir a vida de uma pessoa”, defendeu o alto-comissário.
Sublinhando que “todos os dias, os refugiados contribuem para as comunidades que os acolheram — como trabalhadores, estudantes, vizinhos, artistas, atletas, empreendedores e líderes”, o responsável da ONU pediu que as comunidades aproveitem a efeméride para reconhecer a “coragem e a determinação” dos milhões de pessoas que tiveram de tomar essa decisão.
“Quando lhes é dada a oportunidade, reconstroem as suas vidas e ajudam a fortalecer as sociedades que os rodeiam”, disse, acrescentando ser inaceitável que milhões de refugiados se encontrem hoje “presos na dependência de uma ajuda cada vez menor para a sua sobrevivência diária”.
Embora reconheça que a ajuda humanitária salva muitas vidas e é indispensável, Barham Salih acredita que tem se ser feito mais.
“Os refugiados precisam de mais do que proteção contra o perigo. Precisam de oportunidades para reconstruir as suas vidas com dignidade. Ser refugiado deve ser uma condição temporária, não um destino para toda a vida”, afirmou.
Segundo dados divulgados esta semana pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de sete em cada 10 refugiados e outras pessoas que necessitavam de proteção internacional em 2025 eram originários de seis países: Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela.
A maior parte (65%) fugiu de situações de guerra ou violência nos seus países e refugiou-se em Estados vizinhos, com mais de dois em cada três a serem acolhidos em países de baixo ou médio rendimento.
A Colômbia liderou a lista de países de acolhimento, com 2,8 milhões de refugiados, quase todos venezuelanos, seguida da Alemanha, onde estavam 2,7 milhões de refugiados, e da Turquia (2,4 milhões).
O Uganda (1,9 milhões), o Irão (1,7 milhões), o Chade (1,5 milhões) e o Paquistão (1,3 milhões) são os restantes países da lista onde mais refugiados se encontram.
De acordo com o relatório “Tendências Globais: Deslocamento Forçado em 2025”, cerca de 70% dos refugiados estavam deslocados há mais de cinco anos e sem perspetivas de soluções duradouras.
O documento destaca que os países menos desenvolvidos, que representam apenas 1,4% do PIB mundial (Produto Interno Bruto, ou seja, a riqueza criada], acolheram um quarto de todos os refugiados, totalizando 9,4 milhões de pessoas — um aumento de 12% face a 2024.
Embora assinale que, durante o ano passado, cerca de 4,4 milhões de refugiados regressaram aos seus países de origem - o que constitui o segundo valor mais elevado desde que o ACNUR iniciou os registos, em 1965 -, o relatório alerta que a maioria dos regressos aconteceu em condições adversas.
“Muitos refugiados foram compelidos a voltar devido a políticas restritivas nos países de acolhimento ou forçados a regressar a situações de insegurança”, refere.
ONU quer reduzir número de refugiados para metade até 2035
O alto-comissário da ONU para os Refugiados disse querer reduzir, nos próximos 10 anos, para metade o número de refugiados que vivem em deslocações prolongadas e dependem de ajuda humanitária.
Autor: Lusa
