Segurança energética da Europa e dependência da Rússia é um dos problemas de geopolitica mais sérios


 

Lusa/AO   Economia   1 de Out de 2007, 06:03

A segurança energética da Europa e a sua dependência face à Rússia é um dos problemas mais sérios da geopolítica da energia, afirmou à agência Lusa o especialista e presidente do conselho de administração da Partex, António Costa Silva.
Costa e Silva considera que o acesso da Europa aos recursos energéticos é uma preocupação e que, em breve, o "Velho Continente" ficará refém da Rússia, se não diversificar as fontes de abastecimento.

    A União Europeia (UE) importa do exterior 50 por cento da energia que consome e dentro de duas décadas, se nada fizer, vai importar do exterior 70 por cento da energia de que necessita.

    O caso agrava-se quando essa dependência é estabelecida em relação à Rússia, um país que está a utilizar o petróleo e gás como arma geopolítica, afirmou.

    A UE importa actualmente da Rússia 24 por cento das suas necessidades de gás, mas dentro de 20 anos, com o declínio da produção do Mar do Norte, passará a importar 75 por cento.

    “Se a Europa persistir nesta via e não diversificar as suas fontes de abastecimento, dentro de duas a três décadas vai ficar refém da Rússia”, afirmou.

    O problema, segundo António Costa Silva, é que a UE não sabe lidar com a Rússia e se se analisar o perfil de investimento de Moscovo percebe-se que os russos estão a tentar controlar a rede de ‘pipelines’ e a comprar activos no “downstream” em vários países europeus como a Alemanha, França, Reino Unido e Holanda.

    A estratégia, segundo o especialista, é a Rússia dominar o sistema energético europeu.

    “A Rússia deve ser um parceiro da União Europeia, mas isso só é possível se a Europa tiver outros parceiros e diversificar as suas fontes de abastecimento, o que não está a fazer por miopia política”, afirmou.

    António Costa Silva defende que a Europa deve procurar aumentar o peso do Norte de África, da África Ocidental e da Bacia Atlântica enquanto fornecedores energéticos.

    Considera ainda fulcral a vitalização de um eixo mediterrânico para potenciar as ligações com a Argélia, Líbia e o Egipto e um eixo atlântico para as ligações com a Nigéria, Guiné-Equatorial, Angola, Brasil e Venezuela.

    “Se não se fizer isto é um erro que se pode pagar caro”, afirmou.

    Face à quebra dos recursos do Mar do Norte, que é a principal região produtora da Europa, o especialista defende também a aliança da UE com a Noruega que tem recursos importantes no Árctico, actualmente a serem disputados pela Rússia quer alargar a sua fronteira para Ocidente de forma a apropriar-se desses recursos.

    “A Europa não tem um pensamento geopolítico para lutar contra as intenções da Rússia”, afirmou.

    O especialista defende também a criação de um mercado energético integrado e liberalizado a nível europeu.

    “Este é um elemento chave da segurança energética europeia e por isso é necessário lutar contra os proteccionismos nacionais, nomeadamente da França e de Espanha”, afirmou.

    O especialista afirma que a experiência mostra que um mercado aberto e competitivo limita o poder dos monopólios e cria novas alternativas para o abastecimento de energia, reduzindo a dependência de um fornecedor único.

    A segurança do abastecimento e dos mercados de energia será o tema do Lisbon Energy Forum que terça-feira se realiza em Lisboa, numa organização conjunta da Fundação Mário Soares e da Galp Energia, que traz a Portugal os representantes de algumas das maiores empresas da índustria petrolífera a nível mundial.
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