“O Presidente [Donald Trump] já antes deixou claro que, para alcançar um verdadeiro controlo de armamento no século XXI, é impossível agir sem incluir a China, devido ao seu arsenal considerável e em rápida expansão”, declarou Rubio à comunicação social.
A Rússia indicou hoje que agirá de forma “ponderada e responsável” em relação ao seu programa nuclear, um dia antes de o Novo START terminar a sua vigência.
Assinado em 2010, o tratado Novo START, o último acordo de controlo de armamento nuclear entre Washington e Moscovo, limitava cada parte a possuir 800 lançadores e bombardeiros pesados com 1.550 ogivas estratégicas ofensivas instaladas, com um mecanismo de verificação.
A sua expiração assinalaria a transição para uma ordem nuclear menos regulamentada, embora as inspeções tenham sido suspensas em 2023, devido à ofensiva russa em grande escala lançada na Ucrânia em fevereiro de 2022.
Hoje, durante uma conversa com o homólogo chinês, Xi Jinping, o Presidente russo, Vladimir Putin, “sublinhou que, nesta situação, Moscovo agirá de forma ponderada e responsável”, indicou o seu conselheiro diplomático, Yuri Ushakov, numa conferência de imprensa.
“Continuamos abertos a encontrar formas de negociar e garantir a estabilidade estratégica”, afirmou Ushakov, sugerindo a possibilidade de discussões de última hora.
Na terça-feira, o Kremlin (presidência russa) tinha-se mostrado alarmista quanto às consequências da expiração deste tratado, descrevendo um mundo em risco de se encontrar “numa situação mais perigosa que antes”.
“Pela primeira vez, a Rússia e os Estados Unidos, que possuem os maiores arsenais nucleares, encontrar-se-ão sem um documento fundamental que limite e controle esses arsenais”, advertira o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
O Papa Leão XIV, autoridade que raramente se pronuncia sobre questões nucleares e respetivos tratados, comentou hoje a iminente expiração do Novo START, apelando para que se “impeça uma nova corrida ao armamento”.
“Exorto-vos a não abandonar este instrumento sem assegurar a sua continuação concreta e eficaz”, acrescentou, considerando “mais urgente que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética partilhada”.
Berlim, por sua vez, expressou a sua preocupação relativamente a Moscovo.
“Constatamos que os Estados Unidos entraram várias vezes em contacto nos últimos anos. Queriam discutir um tratado de seguimento com a Rússia sem quaisquer condições prévias, mas a Rússia não respondeu”, recordou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão.
A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN), aliança de organizações não-governamentais distinguida em 2017 com o prémio Nobel da Paz, criticou hoje os dois países, instando-os a comprometer-se publicamente em respeitar os limites do tratado Novo START “durante a negociação de um novo quadro jurídico”.
“Sem o tratado Novo START, existe um risco real de que a nova corrida ao armamento entre os Estados Unidos e a Rússia acelere — mais ogivas, sistemas de lançamento e exercícios nucleares — e de que outras potências nucleares se sintam impelidas a seguir-lhes o exemplo”, alertou a diretora executiva da ICAN, Melissa Parke, num comunicado.
Moscovo já tinha acusado Washington de obstruir as inspeções agendadas no âmbito do Novo START.
Em setembro de 2025, Putin propôs a Washington prorrogar por um ano os termos do tratado, uma proposta considerada uma “boa ideia” pelo homólogo norte-americano, Donald Trump, mas à qual os Estados Unidos acabaram por não dar resposta.
Washington retirou-se, além disso, em 2019 de um importante tratado de desarmamento concluído em 1987 com a Rússia, relativo às armas nucleares de alcance intermédio (INF).
As negociações para a renovação do Novo START mantiveram-se num impasse durante todo o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021), período em que já pretendia incluir a China nas restrições dos arsenais nucleares.
Nuclear
Qualquer acordo com Rússia deve incluir China
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que qualquer acordo nuclear com a Rússia deverá incluir a China, na véspera de expirar o Tratado Novo START de desarmamento nuclear entre Moscovo e Washington
Autor: Lusa/AO Online
