Salários abaixo do mínimo na base das Lajes vão ser corrigidos em janeiro

O vice-presidente do Governo Regional dos Açores revelou que as autoridades norte-americanas se comprometeram a pagar acima do salário mínimo regional aos funcionários portugueses na base das Lajes, na ilha Terceira, a partir de janeiro.



“Há um compromisso da comissão laboral [da base das Lajes] de rever o regulamento para que, já a partir de janeiro, aqueles trabalhadores que ganham abaixo do salário mínimo regional deixarem de o fazer”, avançou, em declarações à Lusa, o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima.

O governante, do executivo da coligação PSD/CDS-PP/PPM, participou hoje na 48.ª reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América, que decorreu em Lisboa e na qual o assunto foi discutido.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços (SITACEHT) nos Açores,​​​ desde 2021 que há trabalhadores portugueses ao serviço das Feusaçores, na base das Lajes, com salários abaixo do salário mínimo regional.

Em julho de 2022, a tabela salarial foi atualizada em 2,2%, mas esse aumento não foi suficiente para que os níveis mais baixos da tabela superassem o salário mínimo praticado nos Açores (740,25 euros).

O sindicato reivindicava a revisão de toda a tabela salarial, para evitar “injustiças”, mas, segundo Artur Lima, os norte-americanos comprometeram-se apenas em rever os salários abaixo do salário mínimo regional.

O governante disse esperar que a questão levantada pelo sindicato seja tida em conta na próxima atualização da tabela salarial.

Questionado sobre uma possível revisão do acordo laboral, também defendida pelo sindicato, o vice-presidente do Governo Regional disse que o assunto não foi abordado nesta reunião, mas lembrou que o método utilizado anteriormente para calcular os aumentos salariais na base das Lajes teria evitado esta situação.

“Isto passou a acontecer porque o Partido Socialista abandonou o inquérito salarial que se fazia. Foi o Partido Socialista que acordou o fim do inquérito salarial. Obviamente que isto trouxe o que temos hoje em dia, mas este já foi um passo interessante no sentido em que ninguém fique a ganhar menos do que o ordenado mínimo na base”, vincou.

Até 2009, a atualização salarial na base das Lajes tinha por base a média dos aumentos das maiores empresas dos Açores, mas desde então que ficou estabelecido que seria adotado o maior aumento da função pública em Portugal ou nos Estados Unidos da América.

Na prática, segundo o SITACEHT/Açores, os norte-americanos têm seguido os aumentos da função pública portuguesa, mas não contabilizam, por exemplo, o valor da remuneração complementar atribuída aos funcionários da administração pública regional.


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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)