Risco de fome em Cuba após passagem de furacões

Risco de fome em Cuba após passagem de furacões

 

Lusa/AO   Internacional   20 de Set de 2008, 11:08

Os preços dos produtos agrícolas registam grandes aumentos em Cuba após a passagem de dois furacões devastadores pela ilha e em meios diplomáticos fala-se mesmo do risco de situação de "fome".
Os ciclones 'Ike' e 'Gustav' assolaram Cuba entre 30 de Agosto e 09 de Setembro, causando prejuízos calculados oficialmente em 5.000 milhões de dólares, embora peritos citados pela televisão estatal elevem os danos para 10 milhões.

    Embora Cuba importe 80 por cento dos alimentos que consomem os seus 11,2 milhões de habitantes, diplomatas e analistas julgam que o impacto dos furacões na já de si fraca produção agro-pecuária remete o país para uma crise delicada numa altura em que são altos os preços nos mercados internacionais.

    O Ministério da Agricultura assegurou que há mais de 110 mil hectares de culturas afectadas, num país que tem já metade das suas terras ociosas, segundo as autoridades.

    Um diplomata europeu calculou que se perderam 60 por cento das colheitas, quando o governo já tinha dificuldades para pagar a importação de alimentos, que custaria este ano o equivalente a 1,4 mil milhões de euros antes da catástrofe.

    O ex-presidente Fidel Castro, convalescente desde 2006 de uma doença que o levou a ceder a liderança do Estado ao seu irmão Raúl, escreveu que provavelmente "após o impacto demolidor dos dois furacões, o país terá de importar ainda mais".

    Além disso, o único país comunista da América, com velhos problemas de crédito e bloqueado comercialmente pelos Estados Unidos, tem de enfrentar a destruição ou deterioração de um milhão e meio de habitações e boa parte das suas infra-estruturas e indústrias.

    Os dados oficiais de danos incluem 5.300 toneladas de alimentos armazenados, um milhão de frangos e 110 mil porcos, 12 mil toneladas de carne de suíno, 2.548 instalações pecuárias, quase dois milhões de litros de leite estragados e cerca de três milhões de litros que não pôde ser produzido.

    O vice-ministro da Agricultura, Alcides Lopez, disse que os próximos seis meses serão decisivos para garantir a alimentação do povo, porque haverá "carências" de hortícolas, fruta e carne.

    A ministra do sector, Carmen Pérez, assinalou que a alimentação dos cubanos nos próximos meses dependerá da intensificação das culturas de ciclo curto.

    Nos "agro-mercados" de Havana que estão ainda abertos - comércios que funcionam excepcionalmente pela lei da oferta e da procura - as prateleiras pouco têm e apresentam preços até três vezes superiores aos de há uma semana.

    Nestes mercados os preços são cobrados em pesos cubanos, a moeda utilizada pelo Estado para pagar à população e que é cambiada oficialmente a 24 por dólar, num país onde o salário mensal médio é de 408 pesos (17 dólares).

    As cebolas passaram de cinco a dez pesos cubanos para 17 ou 18, o alho de quatro a oito para de 10 a 15, aumentos registados em geral em todos os outros produtos agrícolas.

    O governo adverte que não tolerará a "especulação e enriquecimento ilícito", mas diplomatas e analista consideram que essa postura será ultrapassada pela amplitude da catástrofe.

    O vice-ministro Lopez anunciou que estão em estudo "medidas adicionais" para conseguir uma comercialização justa e equitativa dos produtos agrícolas destinados à população.

    Um transportador indicou que com a enorme subida do preço dos combustíveis, ditada pelo governo, o transporte de mercadorias para a capital é agora muito mais caro.

    Quando o furacão 'Ike' no passado dia 08 arrasava o centro da ilha e avançava para Havana, o governo aumentou os preços dos combustíveis, em certos casos até 87 por cento.

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