Rio defende PSD com posicionamento ideológico claro e “não pode ser um albergue espanhol”

Rio defende PSD com posicionamento ideológico claro e “não pode ser um albergue espanhol”

 

Lusa/Ao online   Nacional   27 de Out de 2018, 10:23

 O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu esta sexta feira que o partido deve ter “um posicionamento ideológico absolutamente claro”, para ser credível perante os eleitores, em que devem estar “todos os que se identificam com a ideologia social-democrata”.

“O PSD, como o nome indica, é social-democrata. O partido não é de esquerda, nem de direita, nem é socialista, nem liberal e o partido também não é um albergue espanhol onde cabem cá todos, quanto mais melhor”, defendeu Rui Rio, na sessão de abertura da primeira Academia de Formação para as Mulheres Social-Democratas (MSD), em Lisboa.

Na sua intervenção, o líder do PSD procurou definir quais são os eixos que credibilizam os partidos, que diz estarem cada vez mais afastados da sociedade, apontando, entre estes, a clara definição ideológica, e defendendo que, se um partido pode querer os votos de todos os eleitores, não deve querer todos como militantes.

“Devem estar cá todos dentro os que se identificam com a ideologia social-democrata, que é uma coisa larga. Não temos de pensar todos da mesma maneira, longe disso. Mas não podemos aceitar tudo e o seu contrário”, defendeu.

Como militantes, o PSD deve “abrir as portas a todos os que querem, mas desde que se identifiquem com estas balizas, caso contrário não é também credibilizador para a opinião pública”, acrescentou Rui Rio.

A aposta na formação, no funcionamento mais transparente e na primazia ao interesse público foram outros dos eixos apontados pelo líder do PSD para credibilizar os partidos, responsabilizando, sobretudo, os 44 anos de democracia pelo desgaste daqueles.

“Não aponto o dedo a ninguém, aponto apenas o dedo ao tempo, porque o tempo desgasta tudo”, considerou.

Rui Rio aproveitou a presença do militante número 1 do partido, Francisco Pinto Balsemão, para recordar que, quando este liderou o PSD, ele próprio e Pedro Pinto – também presente na sessão de abertura – eram os representantes da JSD na sua Comissão Política.

“Ao longo de 44 anos, tudo na vida se desgasta”, reforçou, em tom de brincadeira.

Defendendo que credibilizar novamente os partidos é uma tarefa que “exige tempo”, o presidente do PSD incluiu a presença de mais mulheres na vida política com um dos fatores que pode ajudar nesse desígnio, pela competência.

“Neste momento, as MSD têm toda a utilidade. Espero, sinceramente, que daqui a dez anos já não sirvam para nada”, afirmou.

Antes, Pinto Balsemão, presidente da mesa do Conselho Geral do Instituto Francisco Sá Carneiro – um dos organizadores desta Academia, em parceria com a Fundação Konrad Adenauer -, referiu que o problema da igualdade de género não se resolve com mais leis.

“De leis estamos bem servidos, o problema é, sobretudo, de atitude por parte dos homens”, apontou.

Na presença da primeira mulher a liderar o PSD, Manuela Ferreira Leite, Balsemão definiu qual o papel da formação política no partido.

“Não é para formar ‘boys’, nem ‘girls’. É para suplantar eventuais desigualdades, é para melhor servirmos a democracia, a social-democracia, o país”, acrescentou Pinto Balsemão.

A presidente das MSD, Lina Lopes, anunciou que a próxima ação de formação desta estrutura informal (que quer ser consagrada nos estatutos do partido) vai arrancar no Dia da Mulher, em 08 de março do próximo ano, na Covilhã.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.