Ricardo Pacheco colocou em causa a sua continuidade como presidente do Clube Desportivo Santa Clara (CDSC).
Durante a Assembleia Geral (AG), convocada pelo clube, com o intuito de dar a conhecer aos sócios os contornos e a necessidade do aumento de capital social da SAD, na ordem dos 5 milhões de euros, por parte da Ikarus Business, empresa detida pelo brasileiro Bruno Vicintin, que detém a maioria das ações da SAD “encarnada”, o presidente do clube, que cumpre o seu segundo mandato, admitiu não apresentar a sua recandidatura, caso a SAD do Santa Clara não pague, ao clube, as dívidas em atraso, no âmbito do uso da marca Santa Clara (entre outros aspetos está, por exemplo, a utilização do emblema do clube), assim como o apoio à formação.
“Este mandato acaba em maio do próximo ano e se este ano não tiver isto resolvido vou-me embora! Se não tiver os protocolos celebrados até setembro/outubro, vou-me embora”, vincou durante a sua intervenção na AG, clarificando que, apesar da boa relação entre clube e SAD, o “processo foi muito mal conduzido”.
Neste sentido, Ricardo Pacheco comunicou que a direção do clube, em reunião, preparou um voto contra a proposta da SAD por “não conhecermos a real dimensão de toda a situação”.
O montante, acrescentou ainda Ricardo Pacheco, seria utilizado para liquidar a dívida de cerca de seis milhões de euros para com a SAD, visto que o dirigente recusa a aceitar “ajudas” por parte da Sociedade Anónima. “Enquanto estiver aqui não vai haver perdão de dívidas. Nós [clube] vamos pagar as nossas dívidas”, referiu o presidente do clube.
Ainda assim, Ricardo Pacheco fez questão de referir que a decisão não poderia ser contornada, visto que em 2021 os estatutos da SAD foram alterados, por via do próprio clube, permitindo que o Conselho de Administração da SAD pudesse, por maioria simples, decidir um aumento de capital no prazo de cinco anos.
Na reunião de sócios esteve presente Luís Cassiano Neves, advogado de Bruno Vicintin, que interveio em nome do acionista para explicar a necessidade de aumento do capital social da SAD.
Em causa está a solução encontrada pelo acionista Bruno Vicintin, na sequência de uma notificação da UEFA relativamente à quebra do fair-play financeiro, o que penalizaria o Santa Clara em pagamentos de multas ou até à proibição de inscrição de jogadores nas competições.
Luís Cassiano Neves admitiu, contudo, a má abordagem da SAD na resolução do problema, mas garantiu a prevalência do vínculo entre clube e SAD.
“Não é verdade que o aumento [de capital] seja um ataque aos sócios. É verdade que a forma como foi feito, a forma como tardiamente é explicado, é infeliz e não é merecedora da Assembleia e do carinho e da paixão que os sócios têm pelo clube”, explicou, vincando a “urgência” da situação.
Na AG participou, ainda, Klauss Câmara, presidente da SAD, que enfatizou o papel da administração na “sustentabilidade” desportiva e financeira.
