PCP/Açores pede suspensão da privatização das empresas SEGMA e Global EDA

O PCP/Açores considerou que o Governo Regional deve suspender a privatização que está em curso das empresas SEGMA e Global EDA, por considerar que são “estratégicas para o desenvolvimento da região”



“Eu acho que [o executivo regional] está sempre a tempo de suspender esta e toda a linha de privatizações que pretende fazer na região”, disse à agência Lusa o coordenador do PCP açoriano, Marco Varela, no final de uma reunião com o Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e Ilhas (SIESI) para abordar as perspetivas de privatização das empresas regionais SEGMA - Serviços de Engenharia, Gestão e Manutenção e Global EDA - Telecomunicações e Gestão de Sistemas de Informação.

Segundo o dirigente, se o Governo Regional liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro governasse “para a maioria e para os interesses da região e dos açorianos, suspendia esta e qualquer outra privatização, porque empresas estratégicas para o desenvolvimento da região têm de ser públicas e [estar] ao serviço da região”.

No final do encontro, realizado na sede da União de Sindicatos de São Miguel e Santa Maria, em Ponta Delgada, Marco Varela admitiu que as empresas têm “de se estruturar”, admitindo que “qualquer uma delas pode ser viável”.

O Governo dos Açores aprovou, em novembro de 2025, uma resolução que autoriza as empresas EDA e EDA Renováveis, a iniciar o procedimento de alienação das participações sociais detidas na SEGMA e na GlobalEDA.

Hoje, o líder regional do PCP nos Açores, referiu que entrou para a reunião com o SIESI com “algumas preocupações” e saiu dela “ainda com mais, porque, infelizmente, está em curso a privatização de duas empresas” e “está em causa a vida suspensa de 120 trabalhadores, que não sabem qual será o seu futuro”.

“O que sabemos do Governo Regional é que as empresas são para privatizar e tudo o que é de informação, de envolvimento dos principais protagonistas, que são os trabalhadores, pouco se conhece ou nada”, disse.

Depois de referir que os trabalhadores querem defender os seus postos de trabalho e o futuro das duas empresas, que “são estratégicas para a região”, colocou duas questões sobre a sua importância para os Açores.

A primeira é relativa à recuperação do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, que foi atingido por um incêndio no dia 04 de maio de 2024: “Se não tivéssemos uma [empresa] SEGMA pública, com capacidade de ‘know-how’ para pôr a funcionar o hospital, seria uma empresa privada que ia dar essa resposta de imediato?”, perguntou.

Focou, depois, um segundo aspeto: “Tudo o que é manutenções e comunicações da Proteção Civil está ligado a uma [empresa] Global EDA. E, em termos de futuro, como é que a gente fica?”.

“São estas questões que têm de ser esclarecidas por parte do Governo [Regional] e […] qual o motivo para a privatização destas empresas”, afirmou Marco Varela.

O coordenador do PCP/Açores disse que o partido vai continuar a acompanhar a situação relacionada com a privatização, recordando que os trabalhadores já demonstraram com uma ação de luta a “determinação e confiança” na sua viabilidade e têm a circular uma petição que reúne “umas centenas de assinaturas”.

“Iremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para a salvaguarda destes postos de trabalho e destas duas empresas estratégicas”, concluiu.

Em janeiro, o presidente do Conselho de Administração da Empresa de Eletricidade dos Açores (EDA) apelou à tranquilidade dos cerca de 135 trabalhadores da GlobalEDA e da SEGMA, empresas do Grupo EDA, que o Governo Regional decidiu alienar.

Segundo Paulo André, os 77 funcionários da GlobalEDA e os 58 da SEGMA sabem que, apesar da alienação que já está em curso, “há perspetivas de haver um relacionamento de negócios” entre aquelas empresas e o Grupo EDA, no futuro.


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