Açoriano Oriental
10 de junho
Representante da República para os Açores apela ao combate à abstenção

O Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, defendeu este domingo a necessidade de se executarem reformas para combater a abstenção, que permitam uma maior aproximação entre cidadãos e políticos, sobretudo entre os mais jovens.

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Foto: LEONARDO NEGRAO
Autor: AO Online/ Lusa

“É fundamental apelar ao voto no exercício quotidiano da política, nos atos e não apenas nas palavras. Fazer as reformas há muito adiadas e que permitiriam mais proximidade entre eleitores e eleitos, mais transparência e mais responsabilidade. Mudar o discurso político para incluir novos temas, para que este possa ser mais inclusivo e mais apelativo para os jovens, que constituem aliás o grupo etário que menos vota em todas as eleições — quando devia ser o contrário”, afirmou.

Pedro Catarino falava no discurso das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Angra do Heroísmo, que este ano ocorreram um dia mais cedo, pelo facto de o dia da Região Autónoma dos Açores se celebrar também a 10 de junho.

Numa data celebrada 15 dias depois das eleições europeias, o Representante da República para os Açores considerou “muito preocupante” a elevada taxa de abstenção, que atingiu os 65% a nível nacional e os 81% nos Açores.

Pedro Catarino frisou que o projeto da União Europeia “muito positivo e generoso”, está “ameaçado por incertezas importantes”, assentes na “emergência de forças políticas com um discurso e uma prática populistas, que apresentam ao eleitorado respostas simples para problemas complexos”.

“A resposta não pode, por isso, ser a da passividade ou a do alheamento. Todos os portugueses são por direito próprio cidadãos europeus, pelo que o empenhamento na construção do projeto europeu não pode estar restringido aos titulares de cargos políticos e aos deputados ao Parlamento Europeu”, alertou.

Nas eleições legislativas, que também decorrem este ano, as expectativas são de maior participação, ainda assim, o Representante da República defendeu ser necessário “apelar ao voto, mas não apenas por palavras, nas campanhas eleitorais, em discursos mais ou menos sentidos, ou através de campanhas de 'marketing'”.

Pedro Catarino destacou ainda a união e a cooperação entre a Região Autónoma dos Açores e o Estado português, alegando que os dois se complementam.

“A coincidência entre o dia de Portugal e o dia da região não pode senão ser considerada como auspiciosa: símbolo de um país unido na sua diversidade, empenhado na correção das suas assimetrias e com instituições políticas — nacionais e regionais, mas também locais — cooperando reciprocamente em prol do bem comum”, afirmou.

O Dia da Região Autónoma dos Açores assinala-se todos os anos na segunda-feira do Espírito Santo, também conhecida como segunda-feira do bodo, logo a seguir ao domingo de Pentecostes, o que faz com que a data não tenha um dia fixo.

Na véspera do dia em que se comemora a “afirmação da identidade dos açorianos, da sua filosofia de vida e da sua unidade regional”, Pedro Catarino defendeu que não há motivo para que região e Estado não se possam complementar.

“Não se trata de uma sobreposição de datas, porque nenhuma ofusca a outra. É antes um sincronismo simbolicamente importante, que significa que unidade e autonomia, Estado e Região, subsidiariedade e descentralização não se excluem, mas se complementam reciprocamente”, salientou.

Este ano, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, atribuiu condecorações a três personalidades açorianas no âmbito do Dia de Portugal.

O economista micaelense Roberto Amaral, que recebeu o grau de comendador da Ordem do Mérito, foi deputado regional e deputado à Assembleia da República, secretário regional com a pasta das Finanças, administrador da companhia aérea açoriana SATA Air Açores, administrador da Caixa Económica Açoriana, diretor do Banco Totta e Açores na região e presidente do conselho de administração da empresa Eletricidade dos Açores (EDA).

O grau de comendador da Ordem do Mérito Comercial foi atribuído a Patrícia Bensaúde Fernandes, que preside ao conselho de administração do Grupo Bensaúde, um dos maiores grupos económicos nos Açores, com negócios no comércio, nos transportes marítimos e aéreos, na indústria e nos serviços, bem como no turismo, sendo proprietário do Terra Nostra, em São Miguel, entre outros hotéis.

Foi ainda condecorado com o grau de oficial da Ordem do Mérito Industrial João Alberto das Neves, jorgense, mestre de reparação naval, responsável pela construção e reconstrução de dezenas de embarcações de caça à baleia, de pesca e de tráfego local nos estaleiros de Santo Amaro, na ilha do Pico.


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