Reportagem: Dengue preocupa na ilha da Madeira

Reportagem: Dengue preocupa na ilha da Madeira

 

Lusa / AO online   Nacional   7 de Out de 2012, 18:34

Na freguesia de Santa Luzia, Funchal, onde em 2005, pela primeira vez na Madeira, foi detetado o mosquito transmissor do vírus da febre de dengue, a população aprendeu a defender-se, mas os casos confirmados da doença fazem crescer a preocupação.

 

“As pessoas já estavam preocupadas com tantos mosquitos, agora com o dengue é pior”, disse à agência Lusa Manuela Viegas, de 56 anos, que “desde há dois anos para cá” notou uma multiplicação de mosquitos que não lhe dão descanso.

Na sexta-feira, o presidente do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira, Miguel Ferreira, revelou a existência de 34 pessoas infetadas com dengue – cinco das quais encontravam-se nessa manhã internadas -, cuja transmissão ocorre através da picada dos mosquitos “Aedes aegypti” quando infetados com o vírus.

No dia seguinte, o secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Jardim Ramos, que se escusou a atualizar o número de pessoas infetadas, garantiu que a evolução clínica das pessoas infetadas com dengue era “favorável” e que os doentes internados, cujo número não especificou, estavam a “evoluir muito bem”.

Manuela Viegas enumerou os cuidados que se habituou a ter, mas que não travam a entrada de mosquitos na sua morada: “Deito inseticida nas cortinas, repelente no corpo, não deixo água nos pratos dos vasos”, exemplificou.

Na casa de Graça Basílio, de 45 anos, a família não tem sossego desde que há cinco meses se instalou na rua de Santa Luzia, o mesmo nome que ganhou o mosquito por estes lados.

“Todos os dias mato 20, 30 [mosquitos]”, afirmou, enquanto coça as pernas com marcas de picadas, marcas que o filho de 19 anos também ostenta.

O marido, Ricardo Basílio, de 50 anos, explicou: “De manhã, vemos nuvens deles. Está a ver as marcas no teto? São de os matarmos e andamos sempre a limpar”.

Na casa desta família não há vasos de flores, mas sobram repelentes e outros artigos que indicam que por ali não se dá tréguas aos mosquitos, como redes mosquiteiras ou raquetes. Estes objetos “moram”, igualmente, em muitas outras habitações por aqueles lados.

“É um flagelo, estão por todo o lado, escondem-se em todo o lado”, desabafou Ricardo.

Na residência em frente à da família Basílio está a filha de um casal octogenário, Angelina Mondim, de 61 anos, que, enquanto emigrante na Venezuela, cruzou-se com os mosquitos “Aedes aegypti”.

“Já os conhecia da Venezuela, de Maracaya, mas uma avioneta passava a fumegar, a desinfestar”, contou.

A mãe de Angelina, com 85 anos, está “abafada com uma toalha grande para não ser picada”.

“Só se pode andar com calças compridas e casaco”, disse Angelina, adiantando: “São muitos, muitos mosquitos, isto agora está que não se aguenta. Estou preocupada”.

Às autoridades, pede fiscalização para poços e outras estruturas com água estagnada que diz existirem nas imediações.

José Gouveia, de 60 anos, acrescenta outro pedido em jeito de interrogação: “Não sei por que não vêm brigadas de extermínio e desinfestação dos mosquitos como na altura em que começaram a aparecer?”.

“Foi muito bom em termos de saúde pública”, afiançou.


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