Trabalho

Reduzir salários privados aumenta endividamento das famílias

O economista João Ferreira do Amaral rejeitou uma redução dos salários do sector privado e considerou que tal poderia ter um forte impacto nos bancos devido ao elevado endividamento das famílias.


Segundo o economista, que falava à margem do Congresso 'O Imperativo do Crescimento', organizado pela CIP - Confederação Empresarial Portuguesa, em Lisboa, esta proposta revisita a do economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard, para quem a redução de salários em Portugal iria aumentar a competitividade.

No entanto, Ferreira do Amaral considerou que esta "não é uma boa proposta" e apontou duas razões.

A primeira, disse, decorre de essa redução ter pouco impacto na competitividade, já que "afectaria não só o sector produtivo da economia", mas seria generalizada a todos.

Em segundo, afirmou, os cortes salariais no sector privado poderiam pôr em causa a solidez do sistema financeiro nacional por causa do "grande endividamento das famílias". Assim, "cortar os rendimentos punha em causa não só a situação social como o sector financeiro", já que muitas famílias poderiam ficar sem conseguir pagar os seus empréstimos aos bancos, afirmou.

A 'troika' defendeu na quarta-feira que o sector privado deve seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções salariais.

"A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas", diz o comunicado da missão conjunta da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

A mensagem surgiu no dia em que a 'troika' apresentou as suas conclusões sobre a segunda avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira, à qual deram nota positiva.
PUB

Uma operação policial realizada na freguesia de São José, em Ponta Delgada, resultou na apreensão de material suspeito de constituir produto de furto realizado no Aeroporto João Paulo II, divulgou a PSP