Rede de cuidados continuados regista 45 mil doentes em três anos


 

lusa/ao on line   Nacional   13 de Dez de 2009, 06:21

Perto de 45 mil doentes passaram em três anos pelas quase quatro mil camas da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). As autoridades de saúde salientam os ganhos alcançados, mas reconhecem que ainda estão aquém do necessário.

Nas vésperas de assinalar os três anos da criação da rede, a coordenadora da RNCCI, Inês Guerreiro, fez um “balanço positivo” desta medida, lembrando que partiram “praticamente do zero”.

“Criámos em três anos, a nível de unidades de internamento, 3930 camas, onde tratámos 44 569 utentes até ao dia 30 Novembro” e foram criados sete mil postos de trabalho, disse Inês Guerreiro à agência Lusa.

No entanto, ainda há mil pessoas em lista de espera. “Há uma grande carência de resposta a esta população”, porque “este nível de cuidados não existia nem no Serviço Nacional de Saúde, nem na Segurança Social”, sustentou.

“Havia hospitais que se destinavam à cura ou estabilização da doença e lares que recebiam pessoas que não tinham condições para estar em casa, mas não havia um nível intermédio de cuidados dedicado à readaptação das incapacidades e à reinserção das pessoas em casa”, justificou.

Inês Guerreiro defendeu que são necessárias mais respostas, não só em unidades de internamento, mas sobretudo a nível do apoio domiciliário de saúde e de apoio social.

Já estão em funcionamento 87 equipas de apoio domiciliário, uma em cada Agrupamento de Centros de Saúde (ACES), das quais 19 estão a prestar cuidados paliativos.

“Houve um ganho muito grande, embora muito aquém do necessário até porque ainda estamos a um terço da construção da rede”, admitiu, sublinhando o esforço que está a ser feito para antecipar a conclusão da RNCCI para 2013, três anos antes do previsto com a criação de 10 mil camas.

A ministra da Saúde também reconheceu muito recentemente que há "atrasos e dificuldades a ultrapassar", nomeadamente a falta de camas, a carência de equipas nos ACES para apoio domiciliário e a ainda deficiente resposta aos doentes que necessitam de cuidados paliativos.

Para a criação das 10 mil camas, Inês Guerreiro disse que foram criados dois programas de financiamento a fundo perdido, denominados “programa modelar”.

As maiores dificuldades de implementação da rede sentem-se nas grandes cidades, nomeadamente no Porto e, sobretudo, em Lisboa.

Lisboa é a cidade “com mais difícil implementação de resposta porque a valorização dos terrenos é muito alta, a construção é muito mais cara e existem muito menos investidores interessados em pertencer à rede”, explicou.

Mas a situação já está a ser colmatada: “Pensamos que dentro de dois anos a situação esteja equilibrada porque fizemos um protocolo com a Câmara de Lisboa que cedeu 15 terrenos para construção de mil camas de cuidados continuados na cidade”, avançou.

A rede procura dar respostas adequadas aos doentes que, por um lado, não beneficiam com a permanência no hospital, mas que, por outro, ainda não estão aptos para regressarem a casa, sendo o grande objectivo destes cuidados recuperar ou manter a autonomia do utente para a vida diária.

Para Inês Guerreiro, “já foi percorrido um grande caminho”: “Eu costumo dizer que, quando não há nada, não há necessidades, ninguém se interroga. Quando começa a haver resposta tudo emerge no terreno”.

“Estamos numa Europa que já tem uma resposta destas quase há 30 anos e, portanto, nós com três anos pouco mais podemos fazer do que ser alvo de todas as críticas do que ainda não foi feito”.

“Olhemos para os três anos e orgulhemo-nos do que tem sido feito”, rematou.


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