Açoriano Oriental
Proposta criação de Universidade do Atlântico nos Açores

Portugal deve criar uma "grande Universidade do Atlântico" nos Açores, com um polo na Madeira, para o estudo do oceano, clima, terra e atmosfera, em cooperação com o ensino superior e centros de investigação, propõe o Plano de Recuperação Económica.

Proposta criação de Universidade do Atlântico nos Açores

Autor: LUSA/AO online

A proposta consta da versão preliminar do Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030, elaborado pelo consultor do Governo António Costa Silva e a que a Lusa teve hoje acesso.

"O país deve criar uma grande Universidade do Atlântico e um centro de previsão do clima, atraindo parceiros internacionais para os Açores, que é um dos melhores sítios do mundo para estudar a interação entre o oceano e a atmosfera, a terra e o ar, e esse conhecimento é valioso porque pode prevenir e mitigar a ocorrência de fenómenos climáticos extremos, quando as mudanças estruturais de combate às alterações climáticas e o avanço na descarbonização da economia ainda não estão a surtir efeito", lê-se no documento.

A Universidade do Atlântico deverá promover a investigação oceanográfica e climatológica, "informação vital para mapear os ecossistemas e desenvolver uma estratégia consistente para a sua proteção".

A ideia é transformar os Açores numa plataforma tecnológica, criando ainda um polo ligado ao Atlantic International Research, assente numa rede de instituições nacionais e internacionais, o que pode atrair "financiamentos múltiplos".

"Os Açores são uma das melhores localizações do mundo para este tipo de estudos e é fulcral ter um modelo integrado que contemple todas as vertentes: o oceano, o clima, a atmosfera, a previsão meteorológica, o mapeamento de recursos nacionais, a criação de 'clusters' para o aproveitamento e desenvolvimento sustentável desses recursos", lê-se no documento, que sugere a reconversão da Base das Lajes, na ilha Terceira, "num centro tecnológico avançado".

A Universidade do Atlântico teria ainda como missões lançar projetos para a monitorização dos ecossistemas marinhos e ajudar na definição e proteção das áreas mais críticas, tendo em conta "a importância capital" de antecipar as alterações climáticas e melhorar as previsões meteorológicas.

"Este projeto pode atrair financiamento de muitos parceiros internacionais, pois os resultados interessam não só a países como a muitas empresas. Esta é a oportunidade de o país reforçar as suas capacidades e competências para investigar as alterações climáticas, compreender a complexidade das interações em causa e posicionar-se com base no conhecimento e na investigação na linha da frente deste desígnio nacional e europeu", acrescenta.

No documento é ainda salientado que a Universidade dos Açores é "uma referência nas ciências do mar e na vulcanologia" e pode ser "uma referência para os estudos do Atlântico".

No início de junho, o Governo confirmou que António Costa e Silva tinha sido convidado para coordenar a preparação do programa de recuperação económica e que este tinha aceitado esse convite "como contributo cívico e 'pro bono'".

Segundo o Governo, o objetivo era que o trabalho preparatório estivesse concluído quando o Governo aprovasse o Orçamento Suplementar, altura em que o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, assumiria a "direção da elaboração do programa de recuperação".


 
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