Professores de 80 escolas já aprovaram abaixo-assinado para suspensão da avaliação


 

Lusa/AO   Nacional   31 de Out de 2008, 08:18

Professores de cerca de 80 escolas já aprovaram moções ou abaixo-assinados a pedir a suspensão do processo de avaliação do desempenho, segundo a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE).
 A FNE está a fazer ainda o levantamento do número de escolas onde os professores aprovaram o abaixo-assinado contra o sistema de avaliação, mas assegura que o número tem “tendência a aumentar nos próximos dias”, disse à Lusa fonte da federação.

    No distrito de Vila Real “são já várias” as escolas onde os professores decidiram dar “um salto de coragem” recusando-se mesmo à entrega dos objectivos individuais, suspendendo assim o processo de avaliação, disse à Lusa o porta-voz do Movimento de Professores Promova.

    “Podem surgir ameaças e obstinação por parte do Governo, como já têm surgido, mas da parte dos professores eles vão encontrar a mesma obstinação porque não vamos assistir à destruição da escola pública”, afirmou Octávio Gonçalves.

    Depois da maioria dos professores da Escola Camilo Castelo Branco terem assinado uma moção a suspenderem o processo de avaliação, segue-se agora a Escola de São Pedro, também em Vila Real, com 90 dos 110 profissionais do estabelecimento de ensino a assinarem o documento. A moção, segundo o responsável, rejeita o modelo de avaliação na forma como está estruturado.

    “Sabemos que já há movimentações nesse sentido na Jerónimo de Amaral (Vila Real), na João Araújo Correia (Régua), Mesão Frio, Vidago, Chaves ou Murça”, salientou.

    Octávio Gonçalves salientou que se trata de um movimento nacional, que se vai alargar até à manifestação de convergência dos professores novamente.

    “Nós estamos convencidos que isto é imparável e que vai arrastar a esmagadora maioria das escolas e agrupamentos do país”, frisou.

    O professor Rui Ferreira, da Escola João Araújo Correia, na Régua, referiu que 67 docentes, dos 110 que trabalham naquele estabelecimento de ensino, já assinaram a moção.

    “Os professores assinaram um documento, no qual se recusam a entregar também os objectivos individuais [um dos procedimentos do processo] devido à inexequibilidade do modelo, que está completamente fora da realidade daquilo que é o nosso sistema de ensino”, frisou.

    Também em Coimbra os professores da Secundária Dona Maria, a escola pública com melhor média na primeira fase dos exames nacionais, vão exigir a suspensão dos procedimentos necessários à avaliação de desempenho, disse a presidente do conselho executivo.

    Em declarações à agência Lusa, Maria do Rosário Gama confirmou que numa reunião geral de professores da escola, realizada na segunda-feira, foi deliberado, por unanimidade, "exigir a suspensão dos procedimentos que conduzem à aplicação do modelo de avaliação".

    Maria do Rosário Gama explicou que os 87 professores presentes (trabalham 97 docentes na escola) aprovaram o teor de duas moções então apresentadas, tendo decidido fundir os dois textos num único, que será depois enviado ao Ministério da Educação.

    Os professores exigem que aquela suspensão se verifique "até que se proceda a uma revisão concertada" do modelo de avaliação em vigor.

    Maria do Rosário Gama admitiu que o documento final sofra ainda "alguns ajustamentos" até ser enviado ao Ministério da Educação e divulgado, na próxima segunda-feira.

    A revisão do sistema de avaliação, segundo o que foi decidido pelos professores da Escola Dona Maria, visa "tornar o processo exequível, justo e transparente".

    Os docentes defendem que o processo de avaliação deve ser "capaz de contribuir realmente" para a prossecução do fim a que se destina: a aposta do Estado "numa escola pública de qualidade", relatou Maria do Rosário Gama.

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