Açoriano Oriental
Produtor Gareth Wiley quer jovens cineastas portugueses atentos a mercado internacional

 O produtor inglês Gareth Wiley disse à Lusa que espera que “a nova geração portuguesa” de realizadores de cinema possa pensar “no sentido internacional” nas suas produções, e fugir a uma “resistência contra filmes comerciais”.


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Autor: AO Online/ Lusa

“Existe uma tendência, entre os realizadores portugueses com quem tenho falado, para resistirem a filmes comerciais, e uma tendência a favor de obras intelectuais e ‘art house’”, explicou o produtor de “Match Point” e “Vicky Cristina Barcelona” à Lusa, em entrevista à margem do FEST - Novos Realizadores Novo Cinema, em Espinho.

Para o produtor, que orientou uma oficina, com jovens realizadores no festival de Espinho, a que volta de forma frequente desde há sete anos, os jovens profissionais portugueses devem “estar dispostos a fazer filmes comerciais, para uma audiência mundial”, mesmo reconhecendo que o lado mais intelectual “está na essência do cinema português”, até pela influência de Manoel de Oliveira (1908-2015).

“No cinema, somos contadores de histórias e, num filme que apele ao espírito fundamental do ser humano, não é importante se é falado em português ou dinamarquês. Uma comédia, um drama ou um filme de terror, uma obra portuguesa pode viajar pelo mundo, porque muitos mercados dobram os filmes de qualquer forma”, afirmou, considerando, em entrevista à Lusa, que a língua não é uma barreira.

O britânico, fundador da plataforma de apoio à produção Screen Advantage, apelou à “nova geração portuguesa para que pense no sentido internacional, em vez de olhar só para o mercado doméstico”.

Wiley, de 57 anos, continua a voltar ao FEST, um festival “inspirador e fantástico”, no qual se juntam “profissionais experientes da indústria que se misturam rápido e facilmente com jovens realizadores”, para quem esta é muitas vezes “uma primeira plataforma”.

“Também serve para nós, experientes, nos lembrarmos de porque é que entrámos neste campo quando começámos, para partilhar conhecimento”, acrescentou.

Na plataforma que criou, Screen Advantage, e que “permite organizar os planos de financiamento dos realizadores e explicar a potenciais investidores o possível retorno de um investimento”, há já “subscritores de 18 países e 22 mil milhões de dólares disponíveis”, por parte de investidores parceiros.

Numa era em que “nunca foi tão fácil fazer e distribuir um filme”, devido às plataformas de ‘streaming’, o produtor considera igualmente que “nunca foi tão importante para um criador se apresentar de forma profissional ao angariar fundos”.

“Como é que te notabilizas e elevas acima da média? Como é que sais do patamar do micro orçamento? Muitos realizadores são criativos sem conhecimentos em finanças, então essa organização é importante e pode acontecer na plataforma”, disse à Lusa.

O britânico recebeu duas nomeações para Globos de Ouro norte-americanos, em ambos os casos por filmes de Woody Allen, “Match Point”, em 2006, e “Vicky Cristina Barcelona”, que venceu em 2009.

Antes de chegar ao cinema, trabalhou como banqueiro, devido à formação superior no campo do Direito e da Economia e Finanças. Entrou para o financiamento cinematográfico em 1993, trabalhando desde então com profissionais e cinematografias de diferentes países.

O FEST – Novos Realizadores Novo Cinema termina no dia 01 de julho, depois de ter arrancado no passado dia 24, e de ter trazido a Portugal realizadores, produtores, argumentistas e outros profissionais da indústria do cinema de dezenas de países, para oficinas, exibições, sessões de formação e apresentação.


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