Procura mundial de energia deve aumentar 50%

Procura mundial de energia deve aumentar 50%

 

Lusa / AO online   Economia   20 de Nov de 2007, 16:38

A procura de energia deverá aumentar 50 por cento entre 2005 e 2030 e, com a situação actual, as emissões de gases com efeito de estufa aumentariam 57 por cento, estimou a especialista Graça Carvalho.
Falando na abertura do "2º Fórum da Energia - novos desafios, novas respostas", a que preside, Maria da Graça Carvalho afirmou que num cenário em que se concretizem as políticas ambientais anunciadas, as emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE) sobem 27 por cento.

A conselheira para a Energia e Ambiente do presidente da Comissão Europeia salientou que "é extremamente importante" que outros países acompanhem a União Europeia nas medidas ambientais necessárias.

Graça Carvalho sublinhou que, ao contrário do que aconteceu durante muitos anos, as preocupações com o ambiente passaram a ser uma prioridade da agenda política, destacando que 2007 é um marco para a União Europeia com a apresentação pela Comissão Europeia e aprovação pelo Conselho da Estratégia integrada para a energia e alterações climáticas.

A estratégia, aprovada pelo Conselho em Março passado, prevê até 2020 uma redução de 20 por cento, face ao nível de 1990, das emissões de gases com efeito de estufa, percentagem que poderá ser aumentada para 30 por cento no âmbito de um acordo internacional global, adiantou.

Graça Carvalho acrescentou que esses objectivos incluem um aumento de 20 por cento da eficiência energética, triplicar a utilização de energias renováveis para 20 por cento e exigir que a utilização de biocombustíveis nos veículos ascenda a 10 por cento até 2020.

A consultora de Durão Barroso considerou que só será possível atingir as metas propostas com um grande esforço de investigação científica e desenvolvimento tecnológico na área da energia, aumentando o esforço financeiro nesta área, e apontou a "grande urgência em passar do discurso político para a prática".

Eduardo Oliveira Fernandes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), lembrou que no mercado é tão importante a procura como a oferta, sublinhando que o que geralmente se discute em relação às emissões de GEE é do lado da oferta, perguntando que medidas se estão a tomar do lado da procura.

Recordou que o diagnóstico da energia em Portugal revela 85 por cento de dependência externa, com 60 por cento da energia proveniente do petróleo e 60 por cento da produção de electricidade de origem fóssil, observando que os edifícios consomem 60 por cento da electricidade.

Relativamente aos objectivos da estratégia nacional para a energia, Oliveira Fernandes disse que a liberalização do mercado da energia e o enquadramento da concorrência "é o que os governos gostam de fazer", o reforço das energias renováveis "está mais ou menos", mas "ninguém sabe como se vai fazer o reforço da eficiência energética", é "como escrever cartas ao Pai Natal".

Oliveira Fernandes revelou que o consumo de energia nos escritórios aumentou mais de 70 por cento nos últimos 10 anos.

Aquele professor da FEUP considerou, contudo, importante a obrigação de instalação de painéis solares em todos os edifícios, destacando que o diploma das energias fotovoltaicas "está muito bem feito".

Eduardo Oliveira Fernandes defendeu a adopção de sistemas que reduzam o consumo energético nos edifícios, uma mudança cultural nos hábitos dos cidadãos em relação à energia e um programa de subsídios para electrodomésticos mais eficientes do ponto de vista do consumo energético, que não seja "uma acção de marketing" da EDP.

Oliveira Fernandes defendeu que Portugal tem espaço para um perfil energético próprio, adequado à sua escala e condições, que os consumidores de energia deverão dar lugar a "cidadãos de responsabilidade plena", que se eleja a eficiência energética como objectivo tecnológico, económico, fiscal, ambiental e cultural, acompanhado com energias renováveis de proximidade.

António Gonçalves Henriques, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), recordou que o dióxido de carbono (CO2) representa quatro quintos dos efeitos totais dos seis gases com efeito de estufa (GEE) considerados no protocolo de Quioto.

Relativamente a Portugal, Gonçalves Henriques salientou que a energia representa 72,9 por cento das emissões de GEE, com a produção e transformação de energia a contribuir com 27,6 por cento do total e os transportes com 23,0 por cento.

Indicou que Portugal tem o quarto maior aumento da União Europeia a 25, entre 1990 e 2004, nas emissões de gases com efeito de estufa, mas tem emissões por habitante abaixo da média da UE.

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