Venezuela

Presos de 12 cadeias protestam por maus tratos


 

Lusa/AOonline   Internacional   14 de Out de 2008, 11:40

Mais de 6.400 presos, apoiados pelos familiares, permanecem há 72 horas “auto-confinados voluntariamente”, em oito cadeias venezuelanas, em protesto por alegados maus tratos.
Os presos e familiares queixam-se de maus tratos dos guardas prisionais, demoras processais, insuficiência de alimentos e falta de transporte que leve os detidos aos tribunais.

    Segundo Humberto Prado, director do Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) o “confinamento voluntário” registava-se inicialmente nos centros prisionais de El Rodeo 1 e El Rodeo 2, La Panta, Los Teques, Penitenciaria Geral da Venezuela, Internado Judicial de San Juan de Los Morros, Centro Penitenciário Centro-Ocidental de Urbina e o Cárcere Nacional de Cidade Bolívar.

    “Trata-se de uma população de reclusos de mais de 6.400 presos. A essa quantidade há que adicionar os familiares e amigos que os visitaram no último domingo, que são aproximadamente 3.500”, disse.

    Por outro lado, precisou que os presos dos cárceres de Yare, Coro e La Pica, se solidarizaram com o protesto dos outros detidos, e também as mulheres do Instituto Nacional de Orientação Feminina (Inof) de Los Teques.

    “70 por cento da população de reclusos está em conflito. O copo transbordou por uma situação que ocorreu em Yare na última quarta-feira, em que agrediram familiares e detidos de maneira desproporcionada”, disse.

    Explicou que “os presos esperavam pela visita conjugal quando um tiro disparado pela Guarda Nacional (polícia militar) atingiu um familiar. Isso trouxe como consequência que os presos que estavam do outro lado da cerca se exaltassem e, por isso, os guardas começaram a disparar”.

    Segundo Humberto Prado, “é ilógico e injusto que as autoridades disparem assim contra os reclusos. O seu trabalho é procurar soluções”.

    Precisou que os presos exigem falar com o ministro do Interior e Justiça, Tarek El Aissami, para debaterem aspectos relacionados com o transporte para os tribunais, a instalação de mesas técnicas e o trâmite de medidas alternativas para o cumprimento das penas.

    A Agência Lusa contactou telefonicamente com várias detidas do Inof que se queixaram de que a quantidade de alimentos servidos é insuficiente para as 400 mulheres que se encontram naquele recinto prisional.

    Também a falta de transporte tem impedido as detidas de ir a tribunal, nalguns casos para assistir ao seu próprio julgamento. Queixam-se ainda de sucessivos atrasos na concessão de medidas alternativas para o cumprimento das penas de prisão a que têm direito.

    Frisaram ainda que elas próprias colocaram cadeados nas grades para impedir que as guardas tenham acesso às celdas.

    No Inof estão detidas quatro portuguesas.

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