Energia

Preço da energia eólica já é competitivo

Preço da energia eólica já é competitivo

 

Lusa/AOonline   Economia   14 de Nov de 2008, 16:56

A produção de energia eólica é já competitiva quando comparada com as convencionais, e Portugal deve reforçar a aposta em fontes alternativas para diminuir a dependência externa, afirmou em Coimbra António Sá da Costa.
Para o presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), os custos da energia eólica quando chega ao consumidor são já mais baixos do que os da energia convencional, porque esta precisa de ser transformada duas vezes, e transportada, significando aumentos de custos de perdas.

    “As energias renováveis são muito mais competitivas do que se afirma, pois há sempre quem esteja interessado em não falar verdade”, referiu, ao participar hoje num painel do segundo dia do X Congresso Nacional de Estudantes de Economia e Gestão, a decorrer até domingo em Coimbra.

    Segundo o especialista, os parques eólicos produzem a energia a 60kW, que pode entrar directamente na rede, enquanto que a produzida numa central tem de ser transformada duas vezes e transportada, implicando um agravamento pelos custos a pagar à REN – Redes Energéticas Nacionais.

    António Sá da Costa sustenta que em Portugal “tem de se aumentar muito a produção de energias renováveis, porque é um dos países mais beneficiados” com condições naturais para tal, e por isso é um meio para “diminuir muito a dependência energética do exterior”.

    Em 2020 Portugal poderá atingir uma quota de 60 por cento de produção de energia das renováveis, e estima que nessa altura a energia das ondas possa contribuir com 10 a 15 por cento.

    “Em 2030 não vamos ter 100 por cento de renováveis, mas talvez mais tarde”, referiu, acrescentando que Portugal está a ser pioneiro na micro-produção de energia, e que terá um papel importante na fotovoltaica.

    Além do crescimento da produção de energia das renováveis, António Sá da Costa entende que há muito a fazer na diminuição do desperdício energético. Estima que nos edifícios 60 porcento da energia consumida seja desperdício, e nos transportes “também é elevado”.

    Susana Fonseca, vice-presidente da Quercus, que também participou no painel “Sustentabilidade Energética de Portugal – Renováveis vs. Nuclear”, alertou que muito do desperdício se deve à tendência de “normalizar comportamentos que não são normais”.

    No seu entendimento em Portugal nenhuma casa necessita de aquecimento central, mas tende-se para isso, e na organização das cidades há muitas questões que se podem melhorar em termos de mobilidade, como é o dos custos associados à deslocação da residências para os empregos.

    Pedro Passos Coelho, recente candidato à liderança do PSD, que participou no congresso na qualidade de administrador da Fomentinvest – Sociedade Gestora de Participações Sociais, defendeu que não há uma relação entre a crise alimentar e o aumento da produção de biocombustíveis.

    “Grande parte do que é utilizado em biocombustíveis não é utilizado na produção alimentar”, afirmou, salientando que a crise alimentar resulta do aumento da procura, de “haver mais pessoas a querer comer, e a terem com que pagar”.

    Pedro Passos Coelho, a exemplo dos outros dois oradores, confessou-se “não entusiasta” pela opção nuclear como meio de diminuição da dependência energética, pelos riscos do investimento, por “não ter um preço de referência estável”, implicar grandes investimentos, só apresentar resultados 10 a 15 anos depois de se tomar a decisão, e pelos riscos ambientais associados.

    O X Congresso Nacional de Estudantes de Economia e Gestão, organizado pela Associação Académica de Coimbra, teve hoje início e encerra no próximo domingo, abordando temáticas como a sustentabilidade energética, inovação e “Business Iniciative”.

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