A conclusão consta do Estudo Socioeconómico do Setor do Espaço em Portugal, encomendado pela Agência Espacial Portuguesa (PT Space) à Novaspace, que avaliou o impacto socioeconómico daquele setor entre 2019 e 2024.
Numa comparação internacional com quatro países europeus – República Checa, Grécia, Espanha e Suécia – e a Nova Zelândia, Portugal destaca-se pela “forte oferta de engenheiros aeroespaciais altamente qualificados” e pelo quadro legal que, segundo os autores, está bem preparado para lidar com o expectável aumento de pedidos de licenciamento.
“Este quadro proporciona segurança jurídica às empresas nacionais e cria um ambiente atrativo e transparente para as empresas internacionais”, refere o estudo, sublinhando que o país está até em vantagem face ao Ato Espacial da União Europeia proposto.
Por outro lado, a capacidade instalada em Portugal durante os últimos anos abre portas à possibilidade de o país desempenhar um “papel importante” nas atividades de regresso à terra.
Através do porto espacial de Malbusca, na ilha de Santa Maria, operado pelo Consórcio Espacial dos Açores, Portugal é um dos poucos países na Europa capazes de disponibilizar serviços de lançamento orbital e o único posicionado para apoiar missões de regresso à Terra.
No ano passado, a Agência Espacial Europeia (ESA) escolheu a ilha de Santa Maria como local de aterragem do voo inaugural do Space Rider, prevista para 2028.
A própria PTSpace, cujo lançamento em 2019 é descrito como “um passo fundamental que muitos países ainda não deram”, é apontada como um dos pontos fortes, pelo “profundo conhecimento do setor e contactos industriais que podem apoiar as suas ambições crescentes no país e no estrangeiro”.
Ainda assim, e apesar de reconhecerem que o setor espacial português é, atualmente, um “contribuinte dinâmico para a inovação, o emprego e a colaboração internacional”, os autores do relatório sublinham as dificuldades em aceder a financiamento privado de fontes nacionais ou internacionais.
“Embora exista atualmente financiamento de capital de risco suficiente no mercado português, estes não estão a identificar suficientes candidatos viáveis para os seus investimentos”, explicam.
Essa fragilidade soma-se ao orçamento nacional limitado, que dificulta a capacidade de Portugal participar de forma significativa em projetos internacionais no âmbito da Agência Espacial Europeia, ou de fornecer grandes contratos à indústria para ajudar a estimular o seu crescimento e evolução.
Ainda assim, desde o lançamento da Estratégia Espacial Portuguesa, em 2018, o financiamento público para o setor aumentou de 55 milhões para 135 milhões de euros em 2023, sem considerar o financiamento relacionado com a defesa.
Os programas da União Europeia (UE) e os programas descentralizados da UE registaram o maior aumento, “sublinhando o reforço do envolvimento de Portugal nas iniciativas espaciais europeias”.
Quanto à indústria, a Novaspace refere a falta de operadores estabelecidos que atuem como âncoras e estimulem o ecossistema de pequenas e médias empresas.
Outro ponto fraco diz respeito à retenção de talento, uma vez que muitos dos profissionais formados nas universidades portugueses acabam por emigrar devido a perspetivas de emprego insuficientes e diferenças salariais.
