Lactogal lança novo modelo de valorização do leite da ilha açoriana da Graciosa

O Grupo Lactogal vai lançar o programa Produtor Milhafre Graciosa, um projeto-piloto que visa alterar o modelo de pagamento e valorização do leite da ilha



Segundo um comunicado, a matéria-prima “deixará de ser remunerada exclusivamente com base no volume entregue, passando a ser valorizada em função do seu destino industrial, neste caso, a produção de queijo Ilha Graciosa da marca Milhafre dos Açores”.

O programa-piloto, que decorre entre 2026 e 2030, introduz um sistema de pagamento que permite que a remuneração aos produtores deixe de estar dependente apenas da quantidade de leite entregue e passe a premiar diretamente a concentração de sólidos úteis (proteína e gordura) que determinam o rendimento real na produção de queijo.

O modelo assenta num Roteiro Técnico até 2030, que acompanha a evolução das unidades produtivas através de apoio veterinário, nutricional e de maneio, financiado pelo Grupo Lactogal.

Os produtores que aderirem voluntariamente ao programa recebem, além do preço base recalibrado, o Prémio Milhafre, um bónus fixo de mais um cêntimo por quilograma, bem como ferramentas de digitalização para as suas unidades produtivas.

O Grupo Lactogal refere que este projeto foi “desenhado para assegurar o futuro da produção de leite na Graciosa, criando um modelo de negócio mais rentável e atrativo que incentive as novas gerações a permanecer na atividade”.

"No ano em que celebramos 30 anos, reafirmamos o nosso compromisso com os Açores através de ações concretas. O futuro do leite açoriano não passa por competir em volume com a Europa, mas sim por liderar no valor acrescentado, na sustentabilidade e no orgulho das comunidades que lhe dão origem. A Graciosa é o ponto de partida desta transformação", afirma José Marques, presidente do conselho de administração do Grupo Lactogal, citado na nota de imprensa.

A ilha Graciosa foi escolhida para o arranque deste piloto devido à “escala controlada, à forte tradição queijeira e à relação de grande proximidade entre a produção local, a cooperativa e a unidade industrial da Pronicol”.

João do Couto, da cooperativa agrícola Unicol, considera, por seu turno, que este projeto “nasce da proximidade e do diálogo”, uma vez que “não se queria apenas um acordo comercial de curto prazo, porque se pretende dar estabilidade e previsibilidade aos produtores”.

Ao ligar diretamente o preço do leite ao prestígio e rendimento do queijo Ilha Graciosa Milhafre, estamos a valorizar o trabalho de quem está na terra e a garantir que o valor gerado fica na nossa ilha", destaca João do Couto.

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