Calçado

Portugal é o único país na Europa com saldo comercial positivo


 

Lusa/AO online   Economia   16 de Set de 2008, 09:35

Portugal é o único país europeu com um saldo comercial positivo no sector do calçado, ao exportar mais de 90 por cento da produção, quase integralmente para mercados europeus, segundo a associação do sector.

Os dados da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), indicam que, em 2007, as vendas de calçado português para o exterior somaram 70 milhões de pares, no valor de 1.230 milhões de euros, tendo o calçado sido vendido a um preço médio de 17,66 euros.

    Já as importações ascenderam a 52 milhões de pares, no valor de 318 milhões de euros, e o preço médio do calçado comprado foi de 7,03 euros. Nesse ano, o calçado português apresentou um saldo comercial positivo de 17 milhões de pares e 862 milhões de euros.

    O preço médio de exportação de calçado português, na ordem dos 18 dólares, destaca-se como um dos mais elevados do mundo, logo a seguir a Itália, traduzindo a aposta dos industriais em segmentos de elevado valor acrescentado.

    De acordo com a APICCAPS, este ano as exportações de calçado deram já mostras de algum dinamismo, estando de novo a crescer, "ainda que a um ritmo moderado".

    "No primeiro semestre do ano, Portugal exportou calçado no valor de 577 milhões de euros, mais 0,5 por cento", adianta a associação, notando que este desempenho contrasta com os saldos negativos registados por todos os restantes países europeus.

    Entre estes, destaque para o Reino Unido, cujo saldo negativo ascendeu a 433 milhões de pares, França (menos 375 milhões de pares) e Alemanha (menos 357 milhões de pares).

    Relativamente aos dois principais produtores de calçado da Europa - Itália e Espanha - a APICCAPS diz terem vindo a demonstrar um comportamento "surpreendente", já que, actualmente, "importam mais do que exportam".

    Em Espanha, o sector do calçado apresenta um saldo negativo de 241 milhões de pares, enquanto a Itália, apesar de exportar mais de 250 milhões de pares, regista um saldo desfavorável de 144 milhões de pares.

    Um "comportamento deficitário" que afecta também os países de Leste, com a República Checa, por exemplo, a apresentar um saldo negativo de 119 milhões de pares, a Hungria de quatro milhões e a Roménia, um dos principais produtores da Europa, a revelar um saldo negativo de 31 milhões de pares.

    Globalmente, e segundo dados da associação, a indústria portuguesa de calçado assegura 12 por cento da produção europeia de calçado e 6,1 por cento das exportações, possuindo 11 por cento do total de empresas europeias do sector e 12 por cento do emprego.

    Depois de alguns anos de decréscimo, em 2006 a indústria portuguesa de calçado conseguiu estabilizar os seus níveis de emprego, produção e exportações, tendo em 2007 registado já um crescimento.

    Nesse ano, as exportações aumentaram 5,5 por cento, para 1.230 milhões de euros, prevendo-se que 2008 mantenha a tendência, embora com um crescimento moderado (no 1º semestre as exportações evoluíram 0,5 por cento).

    Uma evolução condicionada pela "profunda transformação" em curso no mercado mundial de calçado, com o reforço do peso dos produtores asiáticos e consequente aumento da pressão concorrencial.

    Segundo a APICCAPS, nas últimas décadas a quota da Ásia na produção mundial de calçado aumentou para mais de 80 por cento e o peso deste continente no consumo subiu também significativamente, para 43 por cento. Ainda assim, os níveis de consumo per capita registados permitem antecipar um grande dinamismo futuro na procura, apesar da reduzida abertura da região ao comércio internacional.

   

    PD.

    Lusa/Fim

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