Portugal deve 'controlar' Mugabe para garantir êxito da UE-África


 

Lusa/Ao online   Internacional   28 de Nov de 2007, 05:21

A Cimeira UE-África pode ser um êxito se Portugal conseguir impedir o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, de aproveitar a ocasião para se exibir, defendeu hoje o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Alfred Hoffman.
"Como em muitas outras coisas, não podemos ter o bom sem o mau. O mau é que a cimeira pode dar a pessoas como Robert Mugabe um palco para se exibirem (…) Mas, desde que Portugal consiga mantê-lo sob controlo e não lhe dê essa oportunidade, pode alcançar-se o bom, que é a Europa e África centrarem-se nas questões que vão contribuir para o desenvolvimento e a estabilização democrática de África", disse o embaixador em entrevista à Agência Lusa.

    Alfred Hoffman, que cessa sábado as funções de embaixador em Lisboa, afirmou que os Estados Unidos "estão muito empenhados" em contribuir para o desenvolvimento e a estabilização democrática de África e dispostos a trabalhar com a União Europeia (UE) para esse fim.

    "Esse é um dos grandes desafios e oportunidades do futuro: como é que os EUA e a UE podem desenvolver programas específicos para atingir esse objectivo", afirmou.

    Sobre o condicionamento da ajuda ao respeito pelos direitos humanos na base dos programas criados pelos EUA, Alfred Hoffman explicou que a estabilização democrática passa por "chamar esses países e, através do exemplo e da pressão, levá-los a assumir os princípios fundamentais que asseguram a protecção dos direitos humanos e o exercício de uma imprensa livre, porque uma imprensa livre é a chave para desmascarar a corrupção".

    "Não vamos conseguir isso numa cimeira euro-africana e não vamos consegui-lo em quatro ou cinco ou dez. Mas temos de continuar a fazer esse esforço", declarou.

    Ainda a propósito da presidência portuguesa da UE, que coincidiu com a última parte do seu mandato de embaixador, Alfred Hoffman saudou a conclusão de um acordo sobre o Tratado Europeu pelo impacto positivo que vai ter na eficácia da União.

    "Penso que a presidência portuguesa foi importante para o êxito futuro da União Europeia ao conseguir um acordo (…) Os Estados Unidos apoiam totalmente o acordo em relação ao Tratado porque ele significa que toda a UE pode consolidar as suas diferenças e estabelecer uma nova base para a sua expansão económica", declarou.

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