População impede abertura de urnas em três localidades de São Tomé e Príncipe

Eleitores de três locais do sul de São Tomé estão a impedir a abertura das urnas, em duas localidades com barricadas de pneus a arder, em protesto pela falta de energia e água potável, noticiou a Rádio Nacional são-tomense.


 

Os 92.760 eleitores recenseados em São Tomé e Príncipe são hoje chamados a votar nas eleições legislativas, autárquicas e regional, depois de uma campanha considerada pacífica por observadores internacionais.

Nas localidades de Colónia Açoriana e Santa Cecília, no distrito de Canta Galo, na zona sul do país, a população colocou pneus a arder na estrada para impedir os elementos da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) de entrarem na localidade com os boletins de voto.

Os bombeiros foram chamados ao local para extinguir o incêndio e segundo noticia hoje a Rádio Nacional, a polícia teria detido algumas pessoas, mas sem especificar o número exato.

No Ilhéu das Rolas, localizado no distrito de Caué, onde está situado um empreendimento turístico explorado pelo grupo Pestana, os populares também estão a impedir a entrada dos elementos do CEN.

A população também protesta contra a falta de água e energia elétrica, exigindo melhores condições de vida.

A Rádio Nacional de São Tomé referiu que houve atrasos na abertura das urnas, que chegaram a ser de até uma hora e meia, em vários pontos do país.

As missões de observação da União Africana (UA) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) consideraram que a campanha decorreu "em paz" e de "forma pacífica", embora a candidatura da Ação Democrática Independente (ADI) tenha relatado incidentes com militantes do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social-Democrata (MLSTP-PSD).

A segurança no dia das eleições será reforçada com cerca de 400 polícias e militares, disseram à Lusa fontes oficiais.

Os partidos acusam-se mutuamente de recorrer ao "banho" - compra de votos - uma prática já enraizada nas eleições são-tomenses com a qual os responsáveis políticos admitem ser muito difícil de acabar.

Doze partidos participam na corrida eleitoral, que permitirá escolher os deputados que ocuparão os 55 lugares na Assembleia Nacional, após a deposição, em 2012, do Governo de Patrice Trovoada, eleito dois anos antes.

Os três partidos da oposição na Assembleia Nacional uniram-se para aprovar a moção de censura que faria cair o governo de Patrice Trovoada, da ADI, tendo depois o Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, indicado Gabriel Costa, proposto pelo MLSTP-PSD, o segundo partido mais votado, para liderar um novo executivo.

Agora, os três partidos que suportam o Governo concorrem cada um por si.

O MLSTP-PSD tem como cabeça-de-lista Osvaldo Vaz, o Partido da Convergência Democrática candidata António Dias e o Movimento Democrático Força da Mudança-Partido Liberal avança com o antigo Presidente da República Fradique de Menezes, enquanto Gabriel Costa concorre pela União para a Democracia e Desenvolvimento, um partido extraparlamentar.

Apesar de se candidatarem em separado, os três partidos que sustentam o Governo terão já um acordo assinado para manter a coligação após as eleições, mas este só foi assumido ainda por Fradique de Menezes.

Nas últimas eleições legislativas, em 2010, a ADI conseguiu eleger 26 deputados, o MLSTP-PSD 21, o PCD sete e o MDFM um.

Os eleitores poderão votar em 263 assembleias de voto espalhadas por todo o país, que estarão abertas entre as 07:00 e as 18:00 (08:00 e 19:00 em Lisboa).

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