Recandidatura de Pervez Musharraf causa conflito

Polícia reforça presença em Islamabad após manifestação


 

Lusa / AO online   Internacional   24 de Set de 2007, 12:33

A polícia paquistanesa reforçou hoje a presença em Islamabad depois de confrontos com centenas de membros da oposição que se manifestavam contra a anunciada recandidatura do Presidente Pervez Musharraf a 06 de Outubro.
A embaixada dos Estados Unidos divulgou um comunicado, no qual considera a intervenção da polícia de hoje de manhã “extremamente perturbadora” e apela para a imediata libertação de vários líderes da oposição detidos desde domingo à noite.

A crítica foi inesperadamente severa, tendo em conta que Washington é um dos principais apoiantes do Presidente paquistanês, um aliado chave na luta dos Estados Unidos contra o terrorismo.

Domingo, a polícia paquistanesa deteve pelo menos três líderes de partidos da aliança da oposição, que anunciou um boicote às eleições, em que Musharraf procura ser reeleito.

Os detidos pertencem à aliança Movimento Democrático de Todos os Partidos (APDM), que na última sexta-feira anunciou a intenção de boicotar o escrutínio presidencial marcado para 06 de Outubro e de iniciar protestos diante da sede da Comissão Eleitoral.

Segundo a cadeia de televisão Geo, a administração local de Islamabad ordenou que estes opositores fiquem detidos durante um mês, ou seja, até depois da eleição presidencial.

A cadeia acrescenta que a maioria dos líderes da aliança fugiu para parte incerta depois das primeiras notícias de que havia ordem de detenção contra uma vintena deles.

As eleições presidenciais do Paquistão terão lugar a 06 de Outubro, devendo depois disso e caso seja reeleito o actual Presidente do país, general Pervez Musharraf, renunciar ao actual cargo de comandante das Forças Armadas.

A informação foi divulgada pelo secretário-geral do partido Liga Muçulmana do Paquistão, Mushahid Hussain Syed, que também considerou que o regresso da antiga primeira-ministra Benazir Bhutto, previsto para 18 de Outubro próximo, demonstra que Bhutto "não pretende sabotar as eleições presidenciais".

O Presidente de Paquistão é escolhido por um colégio eleitoral formado pelas duas câmaras nacionais e assembleias regionais, pelo que a eleição não depende do voto popular, o que neste caso garante a escolha de Musharraf uma vez que o seu partido e aliados dispõem de maioria na actual composição parlamentar.

O general paquistanês fez saber que pretende ser reeleito antes da conclusão das eleições legislativas, previstas para finais deste ano.
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