Volta a Portugal

"Poker" de Rui Sousa e Liberty Seguros desmantela Benfica na Torre

"Poker" de Rui Sousa e Liberty Seguros desmantela Benfica na Torre

 

Lusa/AO   Outras modalidades   16 de Ago de 2008, 19:24

Rui Sousa, com triunfo na Torre, camisola amarela de líder e verde da montanha, e a Liberty Seguros, melhor equipa do pelotão, desmantelaram o Benfica na Serra da Estrela
Rui Sousa, com triunfo na Torre, camisola amarela de líder e verde da montanha, e a Liberty Seguros, melhor equipa do pelotão, desmantelaram o Benfica na Serra da Estrela, à terceira etapa da Volta a Portugal em bicicleta.
O corredor da região de Viana do Castelo ganhou isolado no ponto mais alto de Portugal continental (1.961 metros), fustigado por rajadas de vento de 70 km/h, nevoeiro e chuva, após fuga ao pelotão de cerca de 130 quilómetros, acompanhado por três colegas de equipa nos cinco primeiros lugares.
“Dei tudo o que tinha e o que não tinha. É um prémio para 11 anos de profissional e é o dia mais feliz da minha carreira”, afirmou Sousa, de 32 anos, após terminar os 171,5 quilómetros, desde Idanha-a-Nova, em 4:54.37 horas (média:34,927 km/h).
Este “joker” da Liberty Seguros, que já tinha sido segundo classificado na Torre (Volta a Portugal de 2002), além de alcançar o “bronze” nos Nacionais de 2006, sucede assim ao colega de equipa Nuno Ribeiro, último português a ganhar uma etapa no mesmo local durante a maior corrida velocipédica portuguesa.
“Temos um grupo muito forte e fizemos a diferença colectivamente. A vantagem do Rui (Sousa), neste momento, ainda não é suficiente e a desvantagem do (espanhol Hector) Guerra também não é garantidamente recuperável no contra-relógio”, afirmou o director-desportivo da Liberty Seguros, Américo Silva.
Sousa “roubou” a liderança ao espanhol Ruben Plaza (Benfica), que “caiu” para a quinta posição, já a 3.58 minutos de distância, mas tem o espanhol David Blanco (Palmeiras-Tavira), vencedor da Volta a Portugal de 2006, a escassos 1.02 minutos na classificação geral, seguido de Guerra, 58 segundos atrasado.
Já o responsável técnico do Benfica, Orlando Rodrigues, reconheceu o “domínio avassalador da Liberty Seguros”, embora deixando no ar alguma desconfiança nas prestações do adversario Vítor Rodrigues, “que ficava para trás em etapas planas e hoje subiu entre os primeiros”.
Rui Sousa colocou-se na fuga do dia, aos 44 quilómetros, com mais seis corredores, incluindo o “encarnado” Pedro Lopes, e o grupo chegou a deter quase nove minutos de vantagem sobre os restantes ciclistas, pouco antes da dura segunda “montanha” do dia.
Aí, Sousa, acompanhado por Lopes e David Livramento (Palmeiras-Tavira), lançaram-se para a frente e, no início da derradeira “escalada” o corredor da Liberty Seguros atacou e ficou sozinho nos últimos 23 quilómetros, parando apenas para festejar um árduo, mas saboroso triunfo.
Atrás, com muitas marcações homem-a-homem entre a espanhola Scott-American Beef e as portuguesas Fercase-Rota Móveis, Benfica e Liberty, só houve um “esticão” definitivo a 20 quilómetros do final, com o espanhol Koldo Gil (Liberty Seguros) e Blanco a levarem consigo vários outros candidatos e deixando para trás os menos preparados.
José Azevedo (Benfica) voltou a não se dar bem com os muito frios ares da Serra da Estrela e chegou com 7.17 minutos de atraso, tal como o colega Cândido Barbosa, que “colava e descolava” conforme o vento, terminando com mais 5.43 minutos que Sousa.
Blanco, com um andamento constante e aproveitando depois alguma protecção do colega Livramento, chegou 1.40 minutos depois de Sousa, enquanto Guerra e o colega e compatriota Koldo Gil uniram-se para acabarem no terceiro e quarto lugares, respectivamente a 2.45 e 3.07 minutos do vencedor.
Ruben Plaza andou alguns quilómetros a tentar, sem qualquer colega “encarnado”, recuperar a desvantagem para os da frente, mas terminou atrás de outro homem da Liberty Seguros, Nuno Ribeiro, quinto classificado, 4.38 minutos depois de Sousa.
O trabalho da equipa da Charneca colocou-a ainda no topo da classificação colectiva, com uma vantagem de 11.05 minutos sobre o Benfica, mas Blanco é uma ameaça no contra-relógio final, dentro de oito dias, entre Penafiel e Felgueiras, na 10ª e derradeira etapa.
No quinto dia da corrida, disputa-se a quarta tirada em linha, num total de 164,6 quilómetros, entre a Guarda e Viseu, antes de um retemperador dia de descanso na Cidade de Viriato.

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