PM quer que próximos fundos da UE sejam repartidos pelos países e não só competitivos

O primeiro-ministro quer que os próximos fundos europeus, atualmente em negociação, sejam repartidos pelos países e não só atribuídos com base na competitividade, apesar de achar que Portugal pode ter "uma palavra a dizer" nesse domínio



"Nós estamos a negociar por esta altura - até o final do ano, prevê-se - um novo quadro financeiro plurianual da União Europeia, no âmbito do qual vai haver uma diminuição dos fundos tradicionais para a Política Agrícola Comum, para as políticas de coesão, numa perspetiva de dar uma maior dotação àqueles outros fundos que terão uma natureza mais concorrencial", disse Luís Montenegro na cerimónia de lançamento da primeira pedra da fábrica de montagem de comboios da Alstom em Guifões, Matosinhos (distrito do Porto), um investimento de 26,8 milhões de euros.

Segundo o primeiro-ministro, "não está pré-determinado para que sítio é que vão, para que país é que vão, para que empresas é que vão, para que áreas é que vão", mas sim que "que a avaliação será feita pela excelência, pelo mérito, pela mais-valia que os investimentos, o financiamento, podem trazer para o desenvolvimento económico comum".

"E é a nossa preocupação, de Portugal, que haja uma repartição territorial e geográfica também dessa fonte de financiamento", assegurou o chefe do Governo.

Luís Montenegro antecipou que se o critério "for exclusivamente a excelência, à luz de uma escala operacional, em princípio as grandes economias - a França, a Alemanha - serão os maiores beneficiários desse financiamento".

"Há uma maneira de corrigir isto, e é uma maneira igualmente meritória, igualmente de excelência, que é nós sabermos quando é que temos de estar associados para termos a escala que é precisa para estar ao nível dos grandes campeões" empresariais europeus, frisou.

Segundo Luís Montenegro, "aí há países que podem ter uma palavra a dizer, e Portugal é um desses países".

"Tem boas empresas, tem boa engenharia, como vocês sabem, tem boa academia, tem uma apetência enorme para as novas tecnologias, tem fatores de competitividade que são hoje determinantes, como por exemplo o preço da energia, e em particular da energia elétrica", em particular com as energias de fonte renovável, destacou.

O chefe do Governo assinalou também a "segurança" e o país estar "na linha da frente da simplificação e do combate à burocracia".

"É também com estes exemplos que nós podemos abalançar-nos aos grandes projetos que a Europa terá de concretizar nos próximos anos", disse no encerramento da sessão nas oficinas ferroviárias.


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