Empresário criticam estratégia da Visit Azores e alertam para quebra do turismo

Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada critica a estratégia defendida pela VisitAzores de “menos passageiros e mais valor”, destacando os riscos para a economia regional da queda de dormidas e impacto da saída da Ryanair



A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) criticou a estratégia defendida pela VisitAzores, que aponta para “menos passageiros e mais valor”, considerando que a região enfrenta já um ciclo de quebra da procura turística e perda de competitividade que exige medidas urgentes.

Em nota enviada à comunicação social, a CCIPD diz que “recebeu com surpresa as declarações do presidente da VisitAzores, publicadas recentemente num semanário nacional, nas quais é defendida uma estratégia assente na ideia de que o futuro do turismo dos Açores deverá passar por “menos passageiros e mais valor local” e que desconsidera o relevante papel da Ilha de S. Miguel para a consolidação do crescimento no setor turismo. Trata-se de uma visão errada, que conduz ao empobrecimento da Região e que não defendemos”.

Na opinião da CCIPD, “”esta visão estratégica não acompanha a realidade que o setor atravessa atualmente e corre o risco de desviar a atenção daquilo que verdadeiramente constitui hoje o principal desafio do turismo açoriano: inverter o atual ciclo de perda de competitividade e recuperar a procura turística.

A CCIPD sustenta que os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores confirmam uma tendência negativa ao longo de 2026. Entre janeiro e abril, as dormidas registaram quebras homólogas consecutivas, 9,9% em janeiro, 5,9% em fevereiro, 2,4% em março e 12,3% em abril , acumulando uma descida de 4,9% no primeiro trimestre. O número de hóspedes caiu 5,1%.

A associação destaca ainda a quebra do mercado nacional e da ilha de São Miguel, que considera “principal motor da economia turística regional”.

Outro dos pontos críticos apontados é a acessibilidade aérea, com a CCIPD a estimar que a saída da Ryanair possa representar uma perda anual entre 144 e 166 milhões de euros para a economia açoriana, defendendo a necessidade de recuperar ligações e atrair novas companhias.

No comunicado, a associação rejeita ainda a ideia de que os Açores enfrentem um cenário de saturação turística, sublinhando que existe capacidade instalada para crescer de forma sustentável em vários segmentos, incluindo hotelaria, alojamento local e animação turística. 

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