APIR Açores assinala 10 anos e volta a exigir mais condições para os doentes renais

A delegação dos Açores da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais aproveitou a celebração da primeira década de atividade para fazer um balanço do trabalho desenvolvido e voltar a defender uma solução rápida e definitiva para o Serviço de Hemodiálise do HDES, bem como um acesso mais rápido aos exames de diagnóstico



A delegação dos Açores da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR) celebrou, em Angra do Heroísmo, dez anos de atividade. O evento serviu sobretudo para reivindicar soluções que melhorem as condições de hemodiálise, tornar mais rápido o acesso a exames e reforçar o apoio aos doentes que vivem nas várias ilhas da Região.

A data assinalou o aniversário e serviu também para fazer um balanço do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido desde 2016, e colocar na agenda pública os problemas que, segundo a APIR, continuam a dificultar o dia a dia das pessoas com doença renal nos Açores.

A principal reivindicação da associação continua a ser a necessidade de uma solução definitiva para o Serviço de Hemodiálise do Hospital Divino Espírito Santo (HDES). A APIR considera que esta resposta é urgente e que não deve ser adiada.

Outra das preocupações está relacionada com o tempo de espera para os exames de diagnóstico. A APIR defende que, quando estes exames são feitos mais rapidamente, isso pode fazer diferença no acompanhamento da doença e na qualidade de vida dos doentes.

Nesse sentido, a APIR sublinha também a importância da prevenção e fala da importância de se investir mais na educação para a saúde e na promoção de hábitos mais saudáveis. Lembra ainda que muitos casos de doença renal podem ser evitados ou controlados mais cedo, mas para isso é preciso informação e acompanhamento adequado.

Outra reivindicação prende-se com as deslocações. Muitos doentes açorianos precisam de viajar entre ilhas e até mesmo para fora da Região para ter acesso aos tratamentos e às consultas, o que resulta em mais despesas e dificuldades. Assim, a APIR defende o reforço dos apoios para que o impacto destas situações nas famílias seja minimizado.

Na cerimónia foi ainda feito um balanço dos 10 anos de atividade. A APIR recordou o trabalho que tem sido feito junto dos doentes e instituições, a participação em reuniões com entidades regionais, bem como a promoção de campanhas de sensibilização, rastreios e ações no âmbito do Dia Mundial do Rim.

A história da nefrologia dos Açores também foi lembrada. De todos os progressos destacou-se a criação do primeiro serviço de hemodiálise na Região, em 1984, no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT). Este marco, segundo a APIR, tornou possível que os doentes pudessem receber tratamento regular na Região sem terem de se deslocar ao continente. 

Perante doentes, familiares, profissionais de saúde e representantes institucionais, o momento serviu para sublinhar o acompanhamento e o apoio que tem sido dado aos utentes, bem como as ações de sensibilização, rastreios e iniciativas de informação sobre a doença renal. A APIR refere que tem tentado estar próxima dos doentes e intervir sempre que é preciso junto das entidades de saúde.

Na cerimónia houve ainda momentos de homenagem, como o reconhecimento ao médico José Henrique Sousa Freitas e à enfermeira Lúcia Freitas pelo contributo dado à nefrologia nos Açores. Foi também lembrado o trabalho do médico Jorge Monjardino e prestada uma homenagem póstuma a Rui Bettencourt, antigo dirigente da Delegação dos Açores da APIR.

A delegação regional da associação destacou também o papel dos profissionais de saúde dos serviços de nefrologia dos três hospitais da Região e da Unidade de Hemodiálise da ilha do Pico, sublinhando o trabalho diário que é feito junto dos doentes renais.

No final, a mensagem que fica é a de que, apesar de já terem passado 10 anos desde o início da atividade da APIR, o balanço que se faz é de que muito já foi feito, mas que mais há ainda por fazer na defesa dos direitos dos doentes renais açorianos. 

Nesse sentido, a associação insiste que o acesso aos cuidados de saúde não pode depender da ilha onde cada pessoa vive e garante que vai continuar a trabalhar pelo bem-estar destes utentes. 

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