Venezuela/Sismos

OMS preocupada com surtos de doenças

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para possíveis surtos de doenças na Venezuela após os dois sismos que atingiram o país há uma semana, referindo o grande número de vítimas ainda por encontrar



“Os serviços de saúde estão sob extrema pressão, com instalações a funcionar para além da sua capacidade” face ao grande número de casos de trauma, disse o porta-voz da OMS Christian Lindmeier numa conferência de imprensa hoje realizada em Genebra.

O número oficial – ainda provisório - de mortos causados pelos sismos é de pelo menos 1.719 pessoas, além de mais de cinco mil feridos, segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

A ONU, por seu lado, estima que aproximadamente 50.000 pessoas continuem desaparecidas.

Segundo alertou o porta-voz da OMS, o risco de surtos de doenças cresce de dia para dia.

“As interrupções nos serviços de saúde, nas redes de água e saneamento, aliadas à deslocação da população, podem alimentar surtos de doenças preveníveis pela vacinação, como o sarampo, a difteria e a tosse convulsa”, afirmou.

Estes fatores podem também acelerar a propagação de doenças transmitidas pela água, incluindo a febre amarela, a dengue, a chikungunya, o zika, o oropouche e a malária, afirmou.

“A Presidente interina [da Venezuela, Delcy Rodríguez] informou que 38 hospitais foram afetados”, acrescentou Christian Lindmeier.

Até sábado passado, a OMS tinha conseguido recolher relatórios de situação de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, sendo que três estavam em situação crítica, seis apresentavam danos estruturais ou estavam a funcionar apenas parcialmente, enquanto as restantes se mantinham operacionais, mas com restrições significativas, explicou.

O porta-voz da OMS indicou que as avaliações iniciais apontam para uma grave interrupção no atendimento e na prestação de serviços aos doentes, caracterizada por sobrelotação nas unidades, longas listas de espera para cirurgias (principalmente em traumatologia-ortopedia e neurocirurgia), deficiências em biossegurança e equipas extremamente sobrecarregadas.

“Entre as principais deficiências estão o colapso dos serviços forenses e das morgues, bem como sistemas inadequados para o registo de vítimas e o rastreio de pessoas desaparecidas”, acrescentou.


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