Pescadores de Lampedusa prestam homenagem a imigrantes mortos em naufrágio

Pescadores de Lampedusa prestam homenagem a imigrantes mortos em naufrágio

 

Lusa / AO online   Internacional   5 de Out de 2013, 13:08

Uma coroa de flores foi hoje atirada ao mar, ao som das sirenes dos barcos de pesca, uma forma de os pescadores de Lampedusa, em Itália, homenagearem os cerca de 300 imigrantes mortos ou desparecidos num naufrágio.

 

Quatro embarcações deslocaram-se hoje cedo ao local onde estão os destroços, a uma profundidade de 40 metros, a 450 metros da ilha desabitada de Lapins, perto de Lampedusa, na Sicília, constataram jornalistas da AFP.

O barco de pesca que viajava clandestinamente da Líbia para Lampedusa naufragou na quinta-feira, depois de uma avaria. Do total de 450 a 500 imigrantes transportados, somente 155 foram salvos, o que resulta numa estimativa de cerca de 300 mortos.

Vários pescadores relataram aos jornalistas não ter compreendido o que se passava quando ouviram gritos, mas depois foram socorrer os náufragos.

"Àqueles que morreram no mar", escreveram os pescadores numa fita que envolvia a coroa de flores amarelas e laranja a flutuar no mar.

Este gesto faz eco da mensagem do papa Francisco que veio a Lampedusa em julho para denunciar "a mundialização da indiferença" relativamente aos milhares de refugiados e imigrantes que tentam fugir do perigo e atravessam o Mediterrâneo.

"Queremos repetir este gesto pois é preciso não esquecer os mortos. Estas pessoas vieram procurar trabalho e tentar melhorar a sua vida", disse à AFP o responsável da organização de pesca de Lampedusa, Salvadore Martello.

Os pescadores defenderam-se com firmeza das acusações de que três embarcações que estavam no local na altura do naufrágio teriam ignorado os sinais de aflição vindos do barco.

"Um verdadeiro marinheiro não deixa nunca alguém na água, os pescadores estão habituados a salvar vidas", Realçou Salvadore Martello.

Nos últimos anos, a pequena ilha da Sicília, com 6.000 habitantes, que vivem da pesca e do turismo, tornou-se a principal porta de entrada dos imigrantes africanos.


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