Peregrinos passam noite animada com cânticos e orações


 

Lusa/Ao on line   Nacional   13 de Mai de 2010, 07:48

 Apesar do frio e da chuva que chegou a cair, centenas de peregrinos passaram a noite no Santuário de Fátima e muitos acordaram hoje ao som de violas e tambores dos jovens que animam o local.

São jovens na casa dos vintes, que de mãos dadas fazem quatro círculos concêntricos e, no meio, seis deles tocam guitarras, outros tantos batuques e pandeiretas. Todos cantam e dançam.

"Somos de Málaga, Andaluzia. Só da nossa paróquia somos 80, mas de toda a Andaluzia vêm mais de dois mil", diz Salvador, 21 anos, numa pausa entre as batucadas.

"É a primeira vez em Fátima e ainda não dormimos nada. Saímos às sete da tarde e ainda não pregámos olho. No autocarro viemos a cantar e a dançar e chegados aqui fizemos o mesmo. Esta noite também não vamos dormir", acrescenta.

E porque vieram? Para ver o papa? "Para o encontro dos jovens do mundo da Igreja", diz apenas.

Também da Andaluzia veio um grupo que assentou arraiais, um cacho de dezenas de tendas, mesmo no meio do recinto do Santuário.

Rúben, 23 anos, queixa-se do frio em Fátima.

"Não dormimos nada, entre a chuva que caiu e tudo. Fez muito frio, já nos tinham avisado que aqui faria mais frio do que em Sevilha, mas é pior ainda do que pensávamos. Não viemos preparados para isto", refere, enquanto esfrega os olhos.

Ao longe, um outro grupo começa uma nova música. A letra diz algo sobre "os filhos de Israel", mas é o ritmo dos batuques, com algumas vuvuzelas à mistura, que prende a atenção de Rúben.

"Isto esteve tranquilo a noite toda, mas agora começaram com os batuques e a cantar. Nós também vamos juntar-nos à festa", diz.

Sem tenda nem saco cama - apenas um banquinho - Maria da Conceição, 55 anos, diz que passou a noite em vigília por causa de uma promessa.

"Passo a noite aqui porque sou de longe e venho em promessa. Venho de Famalicão", diz.

Veio sozinha e um ror de tristezas para contar. Todas, assegura, terminam em bem devido "às graças da Senhora".

"A promessa é de tantas graças que me tem dado a Senhora. Primeiro, pesava 135 quilos há dez anos. Segundo, tenho uma filha com uma doença incurável, também ma salvou. Terceiro, deu-me casa por causa da partilha. Pronto, a casa ganhei com o divórcio. E quarto, venho pelo meu filho que está com problemas muito graves", recorda.

"Posso-me abrir? Drogas, alcoolemias, tudo o que possa imaginar", acrescenta.

E este ano vai correr bem? "Acredito que este ano, o meu filho para a cadeia não vai. Já entreguei a fotografia na capelinha das aparições e é a fé que nos salva, temos que ter muita fé", diz Maria da Conceição.

Quem não precisou de dormir no chão para ter um bom lugar foi o padre Alexandre, 40 anos.

"Chegámos muito cedo [ao recinto] e vamos ver o papa de muito perto", diz o padre, que não parece nada a idade que tem.

Tem cara de miúdo, um sorriso aberto e entre cigarros revela a razão porque gosta tanto de Fátima. "É segunda vez que venho, porque antes estava numa paróquia em Madrid que se chama Nossa Senhora de Fátima", diz.

"Agora estou no Chile, de onde venho para estar em comunhão com o papa, com todo Portugal e com a Europa", assegura.


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