PDA questiona certificação dos navios da operação de transporte de passageiros

PDA questiona certificação dos navios da operação de transporte de passageiros

 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Jun de 2010, 17:05

O presidente do Partido Democrático do Atlântico (PDA), Manuel Costa, questionou hoje, em Ponta Delgada, o processo de certificação dos dois navios que asseguram a operação de transporte de passageiros entre as ilhas dos Açores.

“A obscuridade da certificação dos dois navios deixa muitas dúvidas”, afirmou Manuel Costa numa conferência de imprensa na sede do partido.

As maiores críticas foram dirigidas ao Express Santorini, que está a navegar no arquipélago desde o início de maio, tendo o líder do PDA denunciado que o navio “tem 36 anos e, como tal, já devia ter sido abatido”.

“Tenho informação oficial, segundo a qual o navio foi construído em 1974”, afirmou, acrescentando que a legislação europeia não permite que um navio com esta idade continue a navegar.

“Não sei qual a companhia de seguros que segura este navio mas, se houver um acidente, não há nenhuma seguradora que se responsabilize quando verificar que o navio já devia ter sido abatido”, frisou.

Ainda sobre este navio, o líder do PDA revelou que “emite um nível de enxofre superior ao permitido por lei”.

Relativamente ao ‘Hellenic Wind’, um barco de alta velocidade que inicia a operação na segunda feira, Manuel Costa afirmou desconhecer “quem certificou o navio para navegar com ondas até cinco metros, quando ele só pode navegar com ondulação máxima de três metros”.

O presidente do PDA criticou ainda a “obsessão” das autoridades regionais pela alta velocidade, considerando que a velocidade atingida por este navio nas águas açorianas “é igual à que atingia o Anticiclone”, navio construído pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e rejeitado pelo governo dos Açores por não cumprir os requisitos contratuais nesta matéria.

Manuel Costa defendeu que o Anticiclone “é um navio feito à medida dos Açores”, pelo que propôs que o executivo regional e os estaleiros nortenhos se entendam, de forma a que ele venha para o arquipélago.

“Deviam renegociar o negócio”, defendeu o presidente do PDA, que questionou o acordo extrajudicial celebrado no final do ano passado para acabar com o diferendo relacionado entre os estaleiros de Viana do Castelo e as autoridades regiões.

Para Manuel Costa, “um acordo extrajudicial quando se fala em milhões é muito estranho”, acusando o governo regional de ter “deixado cair uma indemnização de 11,5 milhões de euros para receber apenas 2,7 milhões”.

“A indemnização seria de 11,5 milhões de euros segundo decidiu o Tribunal de Contas mas o governo aceitou apenas 2,7 milhões de euros”, afirmou.

Nas suas contas, este valor é o saldo entre os 40 milhões que os estaleiros pagaram e os 37,3 milhões que os Açores já tinham entregue para a construção dos dois navios.

As críticas do PDA abrangeram também o concurso internacional que permitiu escolher os dois navios para a operação deste ano, que considerou ser “obscuro”.

“Há aqui uma teia que é preciso desmascarar”, afirmou, admitindo apresentar uma queixa no Ministério Público “para que averigue a construção e a rejeição” do Atlântida e do Anticiclone e o “processo de fretamento” dos navios que estão a operar este ano”.


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