Pastagens para alimentar o gado estão a "morrer"

Pastagens para alimentar o gado estão a "morrer"

 

Lusa / AO online   Economia   8 de Nov de 2007, 17:17

As pastagens naturais para alimentar o gado estão a “morrer” no Alentejo, devido à falta de chuva, o que poderá obrigar os produtores pecuários a aumentar as despesas na aquisição de forragens e rações.
O quadro foi descrito à agência Lusa pelo presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Évora, Francisco Carolino, que fez eco das preocupações dos agricultores alentejanos face a um eventual novo ciclo de seca.

“Os agricultores vão ter de gastar mais dinheiro na aquisição de rações e forragens”, afirmou o dirigente associativo, com o argumento de que as “pastagens estão a secar” no Alentejo.

O responsável no Alentejo da Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), Nelson Figueira, explicou, por seu turno, que as chuvas no final do Verão, ainda muito cedo, “estragaram os pastos secos que havia nos campos e fizeram nascer novas ervas, que estão a secar porque não chove”.

Agora, advertiu, “a falta de chuva está a prejudicar o nascimento das novas pastagens”.

O panorama é corroborado por Raul Vinagre, suinicultor no concelho alentejano de Mourão, nas margens de Alqueva, garantindo que a “crise” da falta de pastagens está a tornar-se “catastrófica”.

“Passámos os meses de Verão já a sufocar (sem pastagens) e, agora, com este Outono, os agricultores já não têm reservas de palhas e fenos, não conseguindo suportar os elevados preços das farinhas para a alimentação dos animais”, disse.

Além das pastagens naturais, segundo os dirigentes agrícolas, a ausência de chuva e as altas temperaturas para a época estão também a afectar as culturas de Outono/Inverno na região do Alentejo, como os cereais e olival.

A situação, segundo Francisco Carolino, “pode ser comprometedora para o próximo ano agrícola, que está agora a começar”.

“A falta de chuva e as altas temperaturas, anormais para a época, vão trazer, a curto e médio prazo, consequências já dificilmente ultrapassáveis”, avisou.

Na área do olival, o dirigente associativo chamou à atenção para os prejuízos ao nível da qualidade e quantidade de azeitona.

“Os frutos não atingiram as melhores condições de maturação, devido à falta de chuva”, declarou Francisco Carolino, apontando também o aparecimento nas azeitonas de fungos, como a gafa, além de outros problemas sanitários.

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