Parlamento português mais próximo de Obama

Parlamento português mais próximo de Obama

 

Lusa / AO online   Nacional   4 de Nov de 2012, 10:08

A Assembleia da República está pouco polarizada relativamente às eleições norte-americanas, sendo muito fácil encontrar deputados portugueses que votariam pela reeleição de Obama, até no CDS-PP, enquanto os apoiantes de Romney são muito escassos.

 

O socialista Sérgio Sousa Pinto é perentório num voto por Obama, argumentando que "para alguém de esquerda o dilema verdadeiramente não se coloca", até porque "a direita norte-americana tem traços que aos olhos da Europa são anedóticos".

A visão europeia poderá ser o que explica a abundância de ‘apoiantes' de Obama no parlamento português, sendo os ‘adeptos' de Romney extremamente difíceis de encontrar em partidos como, por exemplo, o PSD.

O deputado social-democrata António Leitão Amaro estudou em Harvard e na mesmíssima faculdade que Barack Obama (Direito), estava nos Estados Unidos na primeira eleição do atual Presidente, fez campanha, participou em comícios e debates no ‘campus' e em casas particulares, só não fez doações porque não pôde (não é permitido a estrangeiros). Hoje faria tudo outra vez.

"Eu acho que o Estado e a sociedade têm uma missão importante de solidariedade e de apoio àqueles que estão mais necessitados", disse Leitão Amaro à Lusa, considerando que nestas eleições se joga também "uma opção sobre o papel do Estado e da solidariedade."

Por outro lado, o deputado do PSD gosta daquilo que define como o "discurso conciliador" de Obama, que faz do Presidente e candidato um "agregador nas relações internacionais".

No mesmo sentido, Sérgio Sousa Pinto considera que a eleição de Romney tornaria "iminente" uma intervenção militar no Irão, até porque, "os republicanos não acreditam no ‘soft-power'", e acrescenta que em termos económicos e para a Europa "o pior que podia acontecer" seria a eleição do candidato do Partido Republicano.

"Obama não acredita na austeridade", apontou.

Em sentido contrário e pelos mesmos motivos económicos, o deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro considera que "alguma coisa se passou para que a reeleição de Obama não fosse um passeio e isso tem que ver com a economia".

"Romney apareceu com um discurso muito impressivo relativamente às questões económicas. Obama ficou aquém das expectativas nesse campo", apontou, considerando que, pelo contrário, Romney foi um governador estadual com um bom legado nessa matéria nuclear.

O também democrata-cristão João Rebelo coloca o acento tónico igualmente na Economia, sublinhando que "a recuperação económica dos Estados Unidos é vital para a recuperação mundial".

Também na política externa João Rebelo pensa que Romney é melhor: "Obama em matéria de política externa não demonstrou a mínima preocupação pela Europa e Romney tem, pelo menos, uma visão mais ampla".

"No final destes quatro anos, Obama foi uma grande desilusão", considerou, apontou ainda a favor de Romney que o candidato seja "um moderado relativamente ao espetro dos republicanos e à tentativa do Tea Party em capturar o Partido Republicano".

No CDS-PP, a Lusa encontrou muitos ‘indecisos', mas também ‘apoiantes' de Obama, como Hélder Amaral, que na primeira eleição não aderiu ao "clima extremamente emocional" em torno do atual Presidente, "que despertou um sentimento de sonho só comparável a Kennedy".

"Agora ele é um Presidente como os outros e isso é bom", afirmou, anotando, contudo, o avanço de se ter elegido um afro-americano para a Casa Branca.

"Desta vez, votaria Obama", afirmou, argumentando que o Presidente "foi bastante eficaz do ponto de vista económico", soube "resolver os problemas do setor automóvel" e reagir à crise, "a prova é que o PIB cresce pelo 13.º mês consecutivo".

O socialista Manuel Seabra também é pró-Obama e considera que a reeleição do atual Presidente evitaria "uma rutura social que Romney promoveria, fragmentando a América em dois, pondo de um lado a América de quem pode pagar os seus seguros de saúde e educação e o acesso à justiça, contra aqueles que não podem pagar".


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