Operação da Delta em São Miguel representa 10% das dormidas

O presidente da Associação de Turismo dos Açores (ATA) adiantou que a operação da norte-americana Delta Air Lines entre Nova Iorque e Ponta Delgada, que termina em 2020, representa 10% das dormidas de turistas em São Miguel.



O indicador foi deixado por Carlos Morais em audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, que hoje escuta o responsável da ATA e também a secretária regional do Turismo a propósito da anunciada saída da Delta Air Lines dos Açores.

"O turista americano é um turista que consome muito mais que outros mercados que temos nos Açores, deixa mais dinheiro na economia açoriana que outros mercados. Em relação à promoção [do destino Açores], tudo foi feito" para que a operadora norte-americana não abandonasse a rota, considerou o responsável da ATA, que tomou posse em maio deste ano.

A companhia aérea Delta Air Lines confirmou em outubro que “vai descontinuar o serviço de verão entre Ponta Delgada e Nova Iorque”, sem referir as razões de deixar de voar para os Açores.

A operação sazonal, que terminou em setembro deste ano, não se repetirá portanto em 2020.

Para o presidente da ATA, existem "uma série de companhias aéreas" internacionais interessadas em voar para os Açores, tendo a Delta "tomado o pontapé de saída neste sentido", num contacto desenvolvido inicialmente entre a empresa e a região em 2015.

"A motivação da Delta penso que terá sido o mercado de proximidade, de ter um voo a quatro horas e meia, e a notoriedade do destino Açores neste momento", acrescentou.

Carlos Morais declarou aos deputados ter sido sugerido à Delta, numa reunião tida entre o Governo dos Açores, a ATA e os responsáveis da companhia, o avançar para um "concurso público internacional" que garantisse mais verbas à transportadora aérea para manter a rota entre Nova Iorque e Ponta Delgada.

"Eu sou empresário. E numa balança há um deve e haver. (...) A tarifa média não compensava a rota. Entre o deve e haver a empresa tem de rentabilizar um ativo que tem e que se chama avião", considerou o presidente da ATA.

O gestor sinalizou ainda que havia dificuldades dos norte-americanos em preencher os lugares de executiva na referida rota.

A Delta Air Lines começou em maio de 2018 a voar para os Açores, ligando Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, ao Aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque (Estados Unidos da América), e arrancou a operação com cinco voos por semana, passando no segundo ano para sete.

O Governo dos Açores declarou logo em outubro estar já a "reagir", e "interessa continuar a investir na notoriedade da região, neste mercado e noutros", sublinhou então a secretária do Turismo, Marta Guerreiro.

Porém, a governante reconheceu: "Não é uma notícia que gostássemos de ter, mas temos de percebê-la no seu contexto global.

A Delta, referiu ainda então aos jornalistas, é uma empresa privada com uma "lógica empresarial muito própria".


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