Afeganistão

ONU apela para fim dos ataques contra caravanas humanitárias


 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Out de 2007, 16:20

O representante especial da ONU no Afeganistão, Tom Koenigs, apelou esta segunda-feira para o fim dos ataques contra as caravanas humanitárias para evitar "uma catástrofe humanitária" com a aproximação do Inverno, habitualmente rigoroso no país.
Restam seis semanas "cruciais" antes da chegada daquela estação, assinalou Koenigs num encontro com a imprensa em Cabul.

"O Afeganistão é um dos cinco países mais pobres do mundo e uma ruptura alimentar no Inverno poderia provocar uma catástrofe humanitária", advertiu.

"Os rebeldes e os criminosos mataram ou raptaram 110 trabalhadores humanitários e 55 caravanas humanitárias foram roubadas este ano", indignou-se Koening.

Os responsáveis por aqueles ataques "estão claramente a querer afastar as pessoas mais vulneráveis do nosso alcance", declarou ainda.

"É vital que as nossas equipas possam beneficiar de uma passagem segura" para as zonas mais sensíveis. "Não é uma questão política, mas uma obrigação moral", insistiu.

No total, a assistência humanitária da ONU beneficia anualmente cinco milhões de pessoas dos 25 milhões de habitantes que se calcula existirem no Afeganistão.

Entre as pessoas apoiadas pelas Nações Unidas, 400.000 foram "gravemente afectadas por desastres naturais (seca, inundações) ou pela guerra e têm necessidade urgente desta ajuda alimentar e médica", disse o representante especial.

Estas pessoas estão essencialmente no sul e no leste do país, nas regiões mais afectadas pela insurreição sangrenta dos talibãs, afastados do poder em 2001.

"Os distritos do sul, do sudeste e a província de Farah no oeste são de acesso muito difícil", disse na mesma altura o representante da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) para o Afeganistão, Rick Corsino.

Em 2006, registaram-se cinco incidentes envolvendo camiões da FAO contra 30 desde o início deste ano, sublinhou Corsino.

Por outro lado, referiu que este ano, devido à maior generosidade dos países doadores, a ONU está "melhor preparada para fornecer ajuda em comparação com o ano passado".

A ONU forneceu 150.000 toneladas de ajuda alimentar em 2006, esperando este ano atingir as 220.000.

Mas a insegurança provocou um importante aumento dos custos do transporte da ajuda, que Corsino estimou em 25 a 40 por cento mais que o ano passado.
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