Vida selvagem

Nuno Sá vence prémio "Shell Wildlife Photographer Of The Year"

Nuno Sá vence prémio "Shell Wildlife Photographer Of The Year"

 

Carla Dias/João Alberto Medeiros   Cultura e Social   23 de Out de 2008, 11:23

Chama-se Nuno Sá.É fotógrafo e foi o vencedor do desejado “Shell Wildlife Photographer Of The Year” com uma foto sobre orcas, tirada nos Açores.
No início de Novembro, terá a sua primeira colaboração com a revista “National Geographic Portugal”, com um artigo sobre ‘Tubarões baleia nos Açores’.

Qual é  a sensação que tem a olhar para aquela foto magnífica, que lhe valeu o prémio?

Até agora, foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira como fotógrafo da natureza, uma carreira ainda bastante curta. Nadar com orcas era um dos meus grandes sonhos.Normalmente, todos os anos estabeleço um objectivo. Os Açores têm uma biodiversidade enorme e encontros que são possíveis, mas às vezes muitos raros. Gosto de ter sempre uma espécie nova para encontrar e conseguir fotografá-la. Tinha sabido na véspera que  havia sido avistado um grupo de orcas.Tinha feito uma saída de “whale watching” nesse dia de manhã. Soube pelos vigias que havia um grupo de orcas aqui por fora do porto de Ponta Delgada. Foi uma experiência fantástica porque não havia barcos, na altura, na zona. Estive uma tarde inteira com as orcas.
Quando é sentiu que aquela era a foto de uma vida. Assim que fez “clic” apercebeu-se que aquela era uma foto digna de prémio?
Não... Tentei várias coisas, estive cerca de cinco horas com elas e fiquei mesmo até ao pôr-de-sol. Experimentei várias coisas desde a barbatana dentro da bola do sol... Mas, realmente, quando vi esta imagem vi que era especial, porque sempre que a mostrava às pessoas estas ficavam espantadas. Gosto de fazer imagem subaquática, que muitas vezes tem mais impacto.Nadar com orcas foi fantástico.Elas têm um comportamento debaixo de água completamente diferente das outras espécies de cetáceos, porque são o topo da cadeia alimentar e não têm predadores.Não têm medo, aproximam-se directamente do mergulhador.Tive cerca de duas horas com as orcas a habituarem-se à embarcação e a aproximar-me devagar, a ver o seu comportamento.Quando já estavam mais calmas, aí tive a oportunidade de nadar com elas.
Basicamente, desligava o barco e elas aproximavam-se.Eram extremamente curiosas. Quando tirei a imagem, aproximaram-se três delas...
Sentiu medo?
Quando estive dentro de água, um bocadinho, especialmente da primeira vez. A aproximação era rápida e paravam a cerca de meio metro de mim.
Nunca faz este tipo de viagem sozinho?
Tenho sempre alguém a fazer de skipper e às vezes alguém para fazer de modelo, ou algo do género.
Com esta fotografia foi nomeado melhor fotógrafo do ano, da vida animal . Que importância tem esta nomeação para si?
Trata-se do maior objectivo de um fotógrafo da natureza, sendo o concurso mais prestigiante a nível mundial.Este ano, participaram mais de 32 mil pessoas.Regra geral, os participantes são pessoas com currículos maiores do que o meu e com provas dadas.Os fotógrafos da “National Geographic” conseguem muitos prémios.Para mim, era um grande objectivo. Foi o primeiro ano que concorri e não estava minimamente à espera de ganhar.


Prémios revelados em Londres
O concurso agora vencido pelo jovem fotógrafo português é organizado pelo Museu de História Natural de Londres e pela revista BBC Wildlife.
É encarado como líder internacional na representação artística do mundo natural.
De acordo com a organização do evento, este ano o concurso atraiu um número recorde de 32351 participações de 82 países.
A organização revela que os vencedores de categoria e os vencedores em geral  (Fotógrafo de Vida Animal do Ano e Mais Jovem Fotógrafo de Vida Animal do Ano)  serão anunciados durante uma cerimónia de prémios a realizar em 29 de Outubro, sendo depois exibidas no Museu de História Natural. Após a sua estreia em Londres, as fotos irão percorrer vários eventos regionais e internacionais.
No ano passado, a exibição no Museu de História Natural atraiu quase 134000 visitantes. Calcula-se que mais de um milhão tenha visto as imagens de 2007.
De acordo com   a porta-voz do Concurso de Fotógrafo da Vida Animal do Ano, Heather Clark Charrington, “as pessoas vêm ver as melhores fotografias de vida animal do mundo, mas também passam a sentir novos pontos de vista”.
“Muitas das imagens - refere - desafiam toda a gente a pensar acerca da nossa vida animal mundial de diferentes formas, factor central para a missão do Museu”.

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