Educação

Novo ano lectivo mas preocupações antigas

Novo ano lectivo mas preocupações antigas

 

Lusa/AO online   Nacional   3 de Set de 2008, 11:25

O novo ano lectivo vai ser o grande teste para os professores que, pela primeira vez, serão avaliados através do processo que mais contestação no sector causou ao Governo, que também irá a "exame" nas legislativas em 2009.
Os sindicatos dizem que vão estar atentos à política do Governo para a Educação e prometem não "baixar os braços" no novo ano lectivo, que arranca entre 10 de Setembro e 15 de Setembro com preocupações antigas dos professores: a avaliação de desempenho, a gestão escolar e as condições de trabalho dos docentes.

    Estas questões levaram cerca de 100 mil docentes a saírem à rua no dia 08 de Março do ano passado para participarem na “marcha da indignação”, em Lisboa, onde exigiram a demissão da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e a suspensão do modelo de avaliação.

    Para este ano estão prometidas novas acções de luta da Federação Nacional de Professores (FENPROF) caso o Governo não recue em “muitas medidas negativas” que tomou - como a gestão escolar e a alteração do estatuto da carreira docente - e faça “uma política eleitoralista de dar uns prémios aqui, outros acolá, para fingir que está a ter atenção com a escola pública”, disse à Agência Lusa o dirigente sindical Mário Nogueira.

    “Este vai ser um ano muito complicado dentro das escolas", frisou o secretário-geral da FENPROF, filiada na Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP).

    A FENPROF não irá desperdiçar a proximidade das eleições legislativas e irá empenhar-se para que este seja “um ano com condições melhores para poderem recuperar-se alguns direitos que foram retirados”.

    “Este será um ano em que entendo que é necessário obrigar todos os partidos a assumir compromissos que respeitem os trabalhadores docentes e defendam o investimento na escola pública”, sublinhou.

    Por outro lado, os docentes garantem que não irão “passar uma esponja” por cima das medidas tomadas pelo Governo, como a avaliação do desempenho dos professores, que irá causar “focos de grande instabilidade” nas escolas, alegando que não houve experimentação e irá ocupar grande parte do tempo dos docentes.

    “Um Governo que pretende integrar sem condições nos municípios todo o ensino básico, um Governo que encerrou milhares de escolas do primeiro ciclo e que passou os três primeiros anos a atentar contra a escola pública e contra os direitos dos professores não pode esperar que por ser um ano pré-eleitoral se passe uma esponja por cima de tudo”, frisou.

    A luta da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), afecta à União Geral de Trabalhadores (UGT), vai centrar-se nas condições de trabalho dos docentes.

    “Há milhares de professores contratados que são repetidamente necessários para o sucesso educativo e não se compreende que se mantenham em situações precárias”, disse à agência Lusa o secretário-geral FNE, João Dias da Silva.

    O modelo de avaliação de desempenho também merece críticas da FNE, que o considera “excessivamente burocrático e administrativo” e irá representar uma “sobrecarrega enorme para os professores”, que irão estar ocupados com a avaliação, ao mesmo tempo que têm de preparar aulas e corrigir testes.

    “Por ser a primeira vez que isto vai acontecer e pela burocracia, este modelo vai fazer com que muito do tempo e da disponibilidade dos professores esteja virada para a avaliação do desempenho”, justificou João Dias da Silva, garantindo que a FNE vai estar “atenta” a todo este processo.

    “Nós [sindicatos] fizemos um acordo como o Ministério da Educação no sentido que o modelo de desempenho seja cumprido integralmente de acordo com o que está na lei, mas estaremos na primeira linha de denúncia de todos os atropelos e, sobretudo, dos aspectos negativos que este modelo contém, para que no final do ano, quando formos negociar o novo modelo, possamos ter esta experiência acumulada para o alterar radicalmente”, acrescentou.

    O novo regime de autonomia das escolas merece igualmente críticas da FNE: “Não vale a pena estarem a investir em conselhos gerais se não lhes estamos a dar uma capacidade forte de tomada de decisão relativamente a aspectos importantes da escolas”.

    As preocupações dos sindicatos sobre a gestão escolar não são partilhadas pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), que espera que o ano lectivo 2008/2009 seja de “afirmação da escola pública”.

    “É o ano em que implantaremos o novo modelo de gestão em que, além dos professores e do pessoal não docente, os parceiros da comunidade educativa, nomeadamente os pais, têm um papel importantíssimo, porque o seu voto passa a contar nos conselhos gerais de transição”, salientou à Lusa o presidente da CONFAP, Albino Almeida.

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